Jornal de Opinião

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17/12/10

Fragmentação cultural, caos e o Logos do Natal

(O meu cartão de Boas Festas de Natal)

Vivemos numa cultura em que tudo se vai tornando relativo, de pouco ou nenhum valor. O relativismo de tudo ter o valor que cada um lhe quiser atribuir, que pode ser nenhum, vai deixando as pessoas em caldo brando, banho açucarado, sem forma nem identidade. O que cada um pode ser muda todos os dias, como a água de vasilha para vasilha. Vive-se como já foi dito em cultura líquida. Quando tudo vale o mesmo ou nada na vida familiar, em religião, na política, na vida social, nos negócios, entra-se no caos. Na fragmentação e confusão.
E as pessoas sofrem quando nada tem sentido para elas; porque a ânsia maior de cada pessoa é encontrar sentido para si e à sua volta, sem ele morre-se. Vivemos em tempo de culturas fragmentadas e pessoas fracturadas, em processo de destruição mas não rendidas ao nada. O mais alarmante é que desde há decénios tirar sentido às coisas, destruir, tornou-se um jogo cultural contra a racionalidade e o Sentido lógico do viver e das obras humanas (cf J. Derrida). Cultiva-se a irracionabilidade, o Anti-Logos.
As pessoas são afectadas pelas várias depressões, em que a verdadeira depressão se acotovela com inúmeros sintomas das falsas que são ressonâncias de cultura enlouquecida em que as pessoas estão mergulhadas. Lutam nas ondas do caos cultural na ânsia de articular a sua vida a algo de seguro. Vivem na irracionalidade, na sem razão do relativismo quase total, mas sonham por outra coisa que pressentem, e o seu existir lhes dá alguma certeza de estar ao alcance como o náufrago que no escuro sabe que há por ali tábuas do seu barco, não as toca, mas mantêm esperança. À sua volta há monstros que tentam impedir alcançar algo de consistente.
O caos é o que existia antes de este mundo ser diversificado e ordenado, antes de o Deus Criador com a sua Palavra ter dado uma identidade diferente a cada ser, e cada ser ficar a ser ele mesmo e não outro. Essa identidade das coisas e a consequente ordem racional delas não durou sempre. O Géneses de forma velada e mítica mas clara diz-nos como foi, e com é. E como vai sendo. A desarmonia entrou nas coisas e nas pessoas por recusa do único Harmonizador e trouxe desordem, irracionalidade e sofrimento e angústia e caos.
O drama agora é que aqueles que puseram e põem desarmonia e caos neles e à sua volta não têm poder criador suficiente para repor a Harmonia nem neles nem nos outros nem na cultura. E alguns deles associam-se ao Anti-logos e continuam a reproduzir o caos com hostilidades e ódio. Torna-se importante que mais harmonizados sejam harmonizadores.
Para repor a Harmonia o Logos, o Verbo, a Palavra criadora de Deus, o Sentido das coisas e das pessoas, racionalidade e coração que supera todo humano entendimento, fez-se Carne (Homem) e está a recriar a criação em cada um de nós. Por isso celebramos essa maravilha a que chamamos Natal de Jesus Cristo, o único, e deixamo-nos harmonizar por Ele.
Funchal, 17 de Dezembro de 2010
Aires Gameiro


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