Jornal de Opinião

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03/12/10

A educar e a servir... cristãmente, hoje como ontem

Tendo chegado à Moita, em finais de Agosto de 2010, tive de me ir introduzindo às questões – religiosas, sociais, educativas e até espirituais – desta nova Paróquia e de tudo quanto lhe está adstrito, tais como o jardim de infância/atl e o lar/centro de dia. Com efeito, uma nova realidade me era colocada na vida – agora passada a barreira do meio século de idade e como se fosse ainda um jovem à procura de novas vivências – como desafio, missão e responsabilidade.

Por ocasião da celebração do 32.º aniversário d’ O Ninho – jardim de infância do Centro Paroquial de Acção Social da Moita – saiu uma primeira edição de uma publicação alusiva à data e à instituição, intitulada: «Ecos d’O Ninho». De refereir que o Centro Social da Moita celebra em breve, 2012, sessenta anos de actividade em favor dos mais pobres, dos mais frágeis e das crianças.
Apresentamos uma breve reflexão sobre a missão educativa da Igreja católica em geral e deste Centro Social em particular.

* Pelo que é possível compreender, a acção sócio/educativa sempre teve na Igreja, particularmente na Paróquia e em cada Pároco da Moita, uma alavanca necessária e supletiva, tanto das necessidades próprias como da substituição das alheias. Quero, por isso, agradecer aos meus antecessores – por ordem decrescente – Padre João Carlos Tavares, Padre Fernando Belo (ainda vivos e de boa saúde!) e Padre João Evangelista (já falecido)... tudo quanto fizeram, cada um segundo a sua graça, pela harmonização da fé com a caridade, gerando sinais de esperança... dentro e fora da Igreja, templo e comunidade.

* Por outro lado, a educar se engrandece a vocação da Igreja e a servir os mais pobres se fortalece a missão da mesma Igreja, que crê, reza e serve todos com a consciência actualizada da mensagem de Jesus, ontem como hoje. Sem revivalismo ou sensação ‘do já visto’, é salutar ver crescer as nossas crianças, sentindo-as como parte do nosso ministério de padre, pois as crianças são – com verdade e total propriedade – o futuro de uma Nação e da própria Igreja.

* É de olhos postos no futuro que tentaremos continuar a obra educativa/pedagógica d’ O Ninho, pois os nossos vindouros merecem todo o esforço possível, sabendo discernir os sinais dos tempos e estando, suficientemente, atentos à evolução humana e social. Com efeito, os tempos são exigentes para quem tentar ser coerentemente cristão, pois a confusão dos valores exige-nos uma razoável capacidade de humildade e de autenticidade.
Tentando interpretar os mais díspares desafios poderemos prosseguir a obra iniciada, com tanto esforço e abnegação. Na medida em que entendermos as várias linguagens em matéria de comunicação assim seremos capazes de ajudar e de sermos ajudados a viver a dinâmica da fé junto das nossas crianças, das famílias e dos mais diversos intervenientes sociais, religiosos e (até) políticos.

- Quando tantas forças tentam encurralar a acção educativa da Igreja católica para as franjas da exclusão, torna-se urgente acarinhar quem ainda, suportando inúmeras contrariedades, teima em servir os outros, sobretudo os mais pobres e empobrecidos.
- Quando vemos campear a teoria do neutro em matéria educativa, torna-se uma ousadia para pais e responsáveis eclesiais continuar a facultar espaços de aprendizagem com valores de índole cristã.
- Quando se corre o risco de olhar (quase) tudo pela perspectiva economicista, torna-se imperativo para o futuro saber equilibrar as apostas nos filhos, correndo o risco de não trocar de carro ou de adiar a aquisição de uma nova mobília.
Assim perceberemos se o Natal é interior ou se vive de exterioridades ocas!

António Sílvio Couto
(asilviocouto@gmail.com)

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