Jornal de Opinião

São muitos os textos enviados para a Agência Ecclesia com pedido de publicação. De diferentes personalidades e contextos sociais e eclesiais, o seu conteúdo é exclusivamente da responsabilidade dos seus autores. São esses textos que aqui se publicam, sem que afectem critérios editoriais da Agência Ecclesia. Trata-se de um espaço de divulgação da opinião assinada e assumida, contribuindo para o debate de ideias, que a internet possibilita.

13/12/10

Ao Compasso do Tempo – Crónica de 10 de Dezembro de 2010

Chamaram-me a atenção há dias para um facto, que vem comprovar “velha” tese da Igreja na vida pública: há imensos bispos a escrever semanalmente em jornais diocesanos, e um ou outro, e ocasionalmente, em diários de grande circulação.
Este um facto. Não haverá muitos leigos, sobretudo em publicações de cada diocese. Mas a questão também não é a da representatividade da condição baptismal. O mais fundo reside num outro aspecto, a considerar: há quem afirme que não há ninguém a falar! Consequentemente, não se trata da ausência de falantes… Ao contrário, há falantes… que não dizem nada. De forma mais explícita! Há quem expresse suas ideias à luz de concepção humana e eclesial. Só que… não referem o que alguns, ou muitos, ou muitíssimos, gostariam de ler. Coloco-me no grupo visado…
Sabemos bem como a emoção nos governa na proporção da nossa incultura. Só o imediato, a crispação, a insolência, o repúdio, o grito em voz alta… acordam o agrado e a correspondência nos habitantes desta terra! Se o tom não for este, a música será outra…
Mas seja-se solicito ou desagradado diante do foro de ideias e reflexões, atente-se no pluralismo, no observatório de cada ângulo, na versão de todos e de muitos.
Por exemplo (e é um facto mais que comprovado): conheço um “mundo” de pessoas que, desde há longos anos (desde os números primeiros), compram o “Público” aos Domingos, só pelo artigo de Fr. Bento Domingues. Mesmo em número: milhares de pessoas! Desconheço as que atravessam o mesmo jornal… e deixam de lado essas saborosas produções.
É pelo positivo do saber, do pensar livre, do apoio e estímulo, sempre traduzidos (ao contrário da moda e do “relativismo”), que um público se acerca de alguém. A própria linguagem é também um fascínio. Enxuta, universal, sensível, humanizadora… Longe de sermões e de prédicas (com todo o respeito), de um dicionário fechado, a cheirar a gueto, de substantivos, adjectivos e assuntos que são pertença obrigatória de zonas habituais. E depois, o que mais me custa: sempre o ar de perseguidos e tolerados, com um complexo herdado da “perseguição” de 1910! Mas, entretanto, vieram uns “sábios” ensinar-nos, que, afinal de contas, a Igreja Católica foi muito mais operosa nestes tempos, que nos anteriores.
E vá a gente compreendê-los…
Devo acrescentar que, para além do nome citado, tantos outros são do agrado e da boa “digestão” de outros. Mas, neste pluralismo, há outras frentes e numerosas dissertações. O “diabo” (porque o “manganão” é que nos divide) é quando os profissionais da comunicação social começam a escolher este ou aquele(a)… Só os do “politicamente correcto” (clama a oposição…) são destacados. Ou seja, só quem diz o que o jornalista quer ouvir, é posto em cena.
Mas será mesmo assim?
Pelos vistos, sempre há quem faça passar para a opinião pública, a brancura e a lucidez do melhor produto. Ainda bem. Mas é a discutir que nos vamos entendendo. O pior é o silêncio!
MDN-Capelania Mor, 10 de Dezembro de 2010

D. Januário Torgal Mendes Ferreira
Bispo das Forças Armadas e de Segurança

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