Jornal de Opinião

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14/10/10

Timor-Leste e a Nossa Senhora de Fátima

Nos últimos anos, têm sido frequentes as peregrinações de Timorenses a Fátima, Portugal. É que em Timor-Leste a devoção à Virgem Maria, Mãe de Jesus, invocada sob o título de Nossa Senhora de Fátima, está muito enraizada na piedade mariana dos cristãos.

Como sabemos, foi a 13 de Maio de 1917 que Nossa Senhora apareceu a três crianças de Aljustrel, freguesia de Fátima: Lúcia de Jesus, de 10 anos, e seus primos Francisco e Jacinta Marto, de 9 e 7 anos respectivamente. Eles andavam a guardar os seus rebanhos na Cova da Iria quando, por volta do meio-dia, lhes apareceu a Virgem Maria, enquanto eles rezavam o terço. Nos meses seguintes, até Outubro inclusive, Nossa Senhora voltava a aparecer aos três pastorinhos no dia 17, excepto no mês de Agosto, que foi a 19.

Nessas Aparições, a Virgem Maria pedia aos três pastorinhos que rezassem muito pela conversão dos pecadores, pelo Santo Padre e pela paz no mundo.

A Igreja reconheceu a autenticidade das Aparições de Fátima e enalteceu as verdades essenciais do Evangelho contidas nas mensagens de Nossa Senhora: oração, penitência e conversão.

E quando chegaram as notícias a Timor? Não sabemos exactamente quando os missionários e os cristãos de Timor começaram a ouvir falar de Fátima.

Lembramos apenas que no ano de 1917 estava-se a viver um período de aparente acalmia, depois da guerra de Manufahi (1911-1912). O Governador da altura, Filomeno da Câmara Cabral, tinha encetado um plano de desenvolvimento económico e social. Os missionários no território eram apenas dez. Nesse ano de 1917, o Governo da colónia tinha aprovado e adoptado a Cartilha do padre Manuel Mendes Laranjeira. Em 1922, era nomeado Bispo de Macau e Timor Dom José da Costa Nunes, que realizou várias pastorais às Missões de Timor. É provável que na década dos anos 20 do século XX os padres já tivessem ouvido falar das Aparições de Nossa Senhora na Cova da Iria.

Quando o Presidente José Ramos Horta visitou o Santuário de Fátima em Julho de 2008, o seu Reitor dizia que nos Arquivos do Jornal “A Voz de Fátima” havia um documento segundo o qual “já em 1929, se falava do culto de Nossa Senhora de Fátima em Timor”.

Porém, foi nos anos 30 do século XX que Fátima ficou a ser mais conhecida. A propagação do culto de Nossa Senhora de Fátima começou na Missão de Manatuto em 1933, pela acção do padre Ezequiel Pascoal Enes. Em 1936, o superior da Missão de Soibada, Padre Jaime Garcia Goulart, mais tarde 1º Bispo de Díli, acabava de fundar o Pré-Seminário, destinado à formação de sacerdotes nativos; e ele mesmo quis que essa instituição se chamasse Seminário de Nossa Senhora de Fátima. Em Outubro de 1937, era inaugurada a Igreja de Suro (Ainaro), dedicada a Nossa Senhora de Fátima. Em 1939, construiu-se a Capela de Fatubessi, tendo como Padroeira Nossa Senhora de Fátima. Em 1939, foi benzida a capela de Watolari, dedicada a Nossa Senhora de Fátima. E em 1940, a capela de Fatumaca (Wailili), é consagrada à Mãe do Céu, com o título Nossa Senhora de Fátima.

Em 1942, deu-se a invasão japonesa do território de Timor-Leste. Numa situação de guerra, de sofrimento e de carências, os Timorenses mantiveram viva a devoção a Nossa Senhora, rezando o terço nos seus esconderijos, nas grutas, nas florestas e nas montanhas, pedindo o fim da guerra e o estabelecimento da Paz.

Dom Carlos Filipe Ximenes Belo

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