Jornal de Opinião

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14/09/10

Marcos de peregrinação à Terra Santa

Naqueles dias da primeira quinzena de Setembro de 2010 o grupo visitou os sítios marcados na sua identidade pela fé cristã.

Em Jope diante da casa de Simão, o curtidor, meditou a universalidade de Jesus Cristo para fora das fronteiras dos judeus, a partir do pedido de baptismo do Centurião de Cesareia marítima. Pedro resistiu mas deu um passo mais na aceitação de que Jesus Cristo é para todos. A dedicação desta última cidade, Cesareia, a César Augusto por Herodes, a presença de una estela com o nome de Pilatos e o sítio da prisão de Paulo continuam a gritar que Jesus Cristo teve uma história real no império romano e morreu sob Pôncio Pilatos.
No Monte do Carmelo a evocação do profeta Elias apontou para uma nuvenzinha branca a anunciar o fim da seca como chuva de graças de Nossa Senhora do Carmo por meio do seu Filho, para os sinais do seu escapulário (escudo protector) e para a Ordem do Carmelo. Logo tudo foi associada com as Teresas: de Ávila, a Teresinha, a Benedita da Cruz, mártir de Auschwitz, João da Cruz, Nuno Alvares Pereira e milhares de carmelitas, das suas várias ordens e da Ordem Terceira.
As pontuações marcantes de S. João de Acre giraram à volta de mudanças políticas seculares, guerras religiosas, Islão, Cruzadas, Regra da Ordem Militar dos Hospitaleiros de S. João de Jerusalém (de Acre, Rodhes, Malta e sua assistência aos peregrinos de Fátima). E o grupo ficou surpreendido pela história e fascinado perante os edifícios colossais visitados da Fortaleza/Quartel General/Convento/Hospital/Hospício de peregrinos da Terra Santa.
Em Nazaré o que mais fundo tocou ao grupo foi o “nada” donde “tudo” começou. Em aldeia de 50 habitantes de uma donzela de família e casa modestíssima e de um encontro escondido, o Altíssimo olhou, amou e nela “fez grandes coisas”; e tornou esta Terra santa por Jesus Cristo seu Filho ali ter começado a sua existência humana, filho de uma “escrava” do Senhor. Vem daí os milhões de peregrinos da fé em Cristo como nós, os milhões de edifícios e sítios cristãos, os livros e valores inultrapassáveis do património de fé cristã e as expressões de caridade e justiça no mundo. Sem Ele não tínhamos Terra Santa, Igreja das Bem-aventuranças do Monte, chamamento dos apóstolos junto ao lago de Tiberíades, Igreja do primado de Pedro nem a fé do Centurião em Cafarnaum que pede cura para o seu servo, a maior fé encontrada por Jesus em Israel. Nem teríamos encontrado nesses dias tantos grupos de peregrinos de Portugal: Madeira, Benfica, Guimarães, Vila da Feira além de outros grupos de família. Nem centenas de outros vindos das Américas, Europa ao Casaquistão…ao estremo Oriente.
Se em Nazaré “tudo” começou e em Belém numa gruta insignificante e em tantos lugares da Terra Santa “tudo” continuou, em Jerusalém tudo pareceu um dia vir a terminar no sepulcro. Mas não. As multidões de peregrinos apertavam-se por ali, acotovelavam-se, obrigaram-nos a esperar mais de uma hora para tocar e orar como eles apoiados na pedra do mesmo sepulcro vazio na sua Igreja; e obrigaram-nos a igual espera para a descer à Gruta da Igreja da Natividade em Belém onde nasceu. E com esse gesto dizem que “tudo” continua e continuará porque se trata do Filho de Deus saído do sepulcro em quem cremos. E isto apesar de por ali nos envolver a evocação de cenas de lágrimas e dor na Igreja de “Jesus chorou …”, na de o “Galo cantou”, e no chorar das mulheres que se compadeciam de Jesus na Via Dolorosa; e mais ainda na evocação das gotas de suor de sangue da gruta da oração de “Pai… faça-se a tua vontade” como já sua Mãe dissera :”eis… faça-se nesta tua serva a tua palavra”. Na Igreja da Santa Ana, celebramos a criação e nascimento da “Imaculada cheia de graça” que nos daria a Água curadora do seu Filho, mais redentora que a da piscina de Betesda ou das Ovelhas, hoje em ruínas.
O que Jesus “fez” no cenáculo ao fazer a refeição do seu corpo e sangue entregue e derramado por nós em oferta ao Pai, repetimo-lo nós, os dois sacerdotes do grupo, um em celebração dos seus cinquenta anos do dom sacerdotal dado por Cristo, e outro, o Pe José Luis Borga, com expressões musicais dos dons de que foi enriquecido. As celebrações do mandamento de “Fazei isto em memória de Mim” e da entrega pessoal sucederam-se no grupo em Jope, no Monte das Bem-aventuranças, no sítio de “Jesus chorou”, na Igreja de Santa Ana, onde a Mãe nascera, e em Belém onde Jesus nasceu da Virgem Maria; e ainda em dois sítios além Jordão, no Monte Nebo, o sítio da entrega final de Moisés ao “Eu sou” que foi seu guia e do Povo através do Deserto. E em sala de hotel em Wadi Mousa” (fonte de Moisés) ao lado de Petra onde as pedras obrigam a pensar nos planos de Deus desde tempos muito recuados do Povo do Deserto, simbolizados, como o guia indica, ao longe e no alto de monte, pelo que diz ser o túmulo de Aarão. Sítios estes que nos levam a religar o Messias, o Filho de Deus, ao mundo antigo dos Patriarcas e Profetas como Salvador único de toda humanidade.

Terra Santa, 11 de Setembro de 2010
Aires Gameiro, OH

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