Jornal de Opinião

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07/09/10

Compasso do tempo - 03 de Setembro de 2010

“Os tempos de repouso” têm ocupações bem a preceito, longe do desgaste e das correrias. Mas os últimos longos dias não cumpriram essas normas.

No capítulo de mortes e de maleitas foi um rosário, coroado com a notícia da morte repentina do bispo Tomaz Nunes, auxiliar do Patriarcado e Presidente da Comissão Episcopal da Educação Cristã. Tinha-lhe falecido o único irmão, há uns meses. O seu ciclo familiar directo está já todo na mão de Deus. Deixou-nos com os mesmos 68 anos de D. António Ribeiro.
Já, no findar de Julho, tinha-me defrontado com o desaparecimento, em Aveiro, e por atropelamento, do Padre Manuel João dos Santos Cartaxo, juiz assessor no tribunal diocesano e sempre irmão próximo de D. António Santos, bispo emérito da Guarda.
Depois, e em crescendo, seguiram-se-lhe os mortos na estrada, em tragédias sem nome ou no âmbito dos piquetes heróicos dos bombeiros, a defender pontos do país em opressão, sob um futuro discutível no campo das certezas e das práticas consensuais.
Até uma palmeira, de raiz em agonia, feriu e vitimou pessoas em Porto Santo.
E, neste clima intranquilo, lá nos deixaram o Padre Alberto Azevedo, de gratíssima memória, da arquidiocese de Braga; o Major-General Comandante da Escola de Queluz, da G.N.R. e ficou ferido, em sobressalto, o Padre António Joaquim Dias, capelão-militar em Chaves, quando se dirigia, em automóvel, para assistir um casamento, estando ainda internado no Hospital de S. Marcos. Emigrantes, fora e dentro do país, viram os seus últimos dias neste quente mês. Dois guardas civis espanhóis e um intérprete foram assassinados no Afeganistão. E até o teólogo Raimon Panikar, paladino do diálogo entre concepções religiosas, se apagou nos fins de Agosto, com 91 anos.
Bem evoquei a Irmã Teresa de Calcutá, que teria festejado os cem anos em 26, se fosse viva. E, como enamorada dos “invisíveis sociais” deve ter recordado, no Céu, ao bispo Óscar Romero, assassinado em S. Salvador, no decurso de uma Celebração eucarística, que, volvidos trinta anos, é bem visível na terra salvadorenha, uma impunidade vergonhosa, consequência da amnistia de 1993, que fechou os olhos aos executores do crime.
E a expulsão dos ciganos em França?!
Não perco o optimismo, mesmo que um leitor se sinta constrangido com “verdades como punhos”, mais desejoso de meias tintas ou da conjura do silêncio. O anticlericalismo e a ausência da evangelização, entre várias motivações, são resultados de ambiguidades e de receios. Sejamos directos, e abjuremos as cautelas. Esta é uma resposta a alguém. No meio destes vendavais, caiu-me sob os olhos a notícia da morte da Maria Augusto Amado, a qual, há vinte e sete anos, criou o movimento “Vencer e viver”, para apoiar mulheres vítimas do cancro da mama. Há mais estrelas a brilhar!
Saudade, Homenagem e Comunhão! Nunca haverá desaparecidos!

Lisboa, 3 de Setembro de 2010
Januário Torgal Mendes Ferreira


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