Jornal de Opinião

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03/01/11

Dia Mundial da Paz

Liberdade religiosa: cultura e civilização

«Na liberdade religiosa exprime-se a especificidade da pessoa humana, que, por ela, pode orientar a própria vida pessoal e social para Deus, a cuja luz se compreendem plenamente a identidade, o sentido e o fim da pessoa. Negar ou limitar arbitrariamente esta liberdade significa cultivar uma visão redutiva da pessoa humana; obscurecer a função pública da religião significa gerar uma sociedade injusta, porque esta seria desproporcionada à verdadeira natureza da pessoa; isto significa tornar impossível a afirmação de uma paz autêntica e duradoura para toda a família humana».
Eis como o Papa Bento XVI caracteriza a ‘liberdade religiosa, caminho para a paz’, que é o tema do (44.º) Dia Mundial da Paz, que se celebra no próximo dia 1 de Janeiro.
Na sua mensagem o Papa diz que «é doloroso constatar que, em algumas regiões do mundo, não é possível professar e exprimir livremente a própria religião sem pôr em risco a vida e a liberdade pessoal. Noutras regiões, há formas mais silenciosas e sofisticadas de preconceito e oposição contra os crentes e os símbolos religiosos. Os cristãos são, actualmente, o grupo religioso que padece o maior número de perseguições devido à própria fé. Muitos suportam diariamente ofensas e vivem frequentemente em sobressalto por causa da sua procura da verdade, da sua fé em Jesus Cristo e do seu apelo sincero para que seja reconhecida a liberdade religiosa».

= Liberdade religiosa e respeito recíproco
Partindo da afirmação de que «o respeito de elementos essenciais da dignidade do homem, tais como o direito à vida e o direito à liberdade religiosa, é uma condição da legitimidade moral de toda a norma social e jurídica», o Papa realça que a liberdade religiosa deve ser entendida como capacidade de organizar as próprias opções – muito para além da não coacção – segundo a verdade. Com efeito, temos vivido – sobretudo no mundo ocidental e na Europa em particular – uma espécie de indiferença hostil a Deus e a quem possa manifestar algo de religioso na sua vida, tanto pessoal como comunitária.
«A ilusão de encontrar no relativismo moral a chave para uma pacífica convivência é, na realidade, a origem da divisão e da negação da dignidade dos seres humanos. Por isso se compreende a necessidade de reconhecer uma dupla dimensão na unidade da pessoa humana: a religiosa e a social».
Mesmo que de forma simples perguntamos:
. A quem interessa relativizar a dimensão religiosa senão àqueles que pretendem capciosamente impor uma religião agnóstica e anti-cristã?
. Por que pretendem nacionalizar a educação, criando a ideia de que o Estado tem de formar nos desvalores, sobretudo contra Deus e o Evangelho?

= Dimensão pública da religião
«Quando se reconhece a liberdade religiosa, a dignidade da pessoa humana é respeitada na sua raiz e reforça-se a índole e as instituições dos povos. Pelo contrário, quando a liberdade religiosa é negada, quando se tenta impedir de professar a própria religião ou a própria fé e de viver de acordo com elas, ofende-se a dignidade humana e, simultaneamente, acabam ameaçadas a justiça e a paz, que se apoiam sobre a recta ordem social construída à luz da Suma Verdade e do Sumo Bem».
Numa época em que uns certos ‘intelectuais’ pretendem reduzir a expressão da fé – seja ela qual for – a uma espécie de fenómeno privado, este desafio de Bento XVI ressoa como despertador das consciências, tanto ao nível da Igreja católica como dos diversos intervenientes sócio-políticos. De facto, «os cristãos são chamados – não só através de um responsável empenhamento civil, económico e político, mas também com o testemunho da própria caridade e fé – a oferecer a sua preciosa contribuição para o árduo e exaltante compromisso em prol da justiça, do desenvolvimento humano integral e do recto ordenamento das realidades humanas. A exclusão da religião da vida pública subtrai a esta um espaço vital que abre para a transcendência».
De forma simples perguntamos:
. Até onde irá o nível de preconceito para que seja tentada uma negação da história dos povos, colocando Deus fora do espaço público e político?
. Não será que certos mentores dalguma luta religiosa, particularmente na tentativa de privatização dos símbolos religiosos (cristãos ou não), não servem, antes, ideologias falidas e anquilosadas... materialistas?

Citando ainda a mensagem de Bento XVI para o próximo dia mundial da paz concluímos: «a paz é o resultado de um processo de purificação e elevação cultural, moral e espiritual de cada pessoa e povo, no qual a dignidade humana é plenamente respeitada».
Assim o vivamos no novo ano que se aproxima, deixando as lamúrias de lado e empenhando-nos na construção da verdadeira liberdade religiosa como caminho para a paz.

António Sílvio Couto
(asilviocouto@gmail.com)


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