Jornal de Opinião

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25/01/11

A Basílica do Imaculado Coração de Maria, em Roma, e a Madre Virgínia

A devoção, o culto e a primeira capela e a primeira Igreja dedicadas ao Coração Imaculado Coração de Maria, na Madeira, estão ligadas aos pedidos que Nossa Senhora fez à Madre Virgínia em 1913 e 1914. Muitos, porém, gostarão de saber que a grande Basílica dedicada ao Imaculado Coração de Maria, no Bairro de Parioli, em Roma, também está ligada às revelações e pedidos que o mesmo Coração Imaculado de Maria fez à Serva de Deus.

Os pedidos de Nossa Senhora insistiam para que a Serva de Deus levasse este desejo do seu Coração Imaculado, por intermédio do seu confessor, ao Bispo e este ao Papa. O Bispo, D. António Manuel Pereira Ribeiro, enviou finalmente a Roma o Padre João Prudêncio da Costa, em Outubro de 1919, com um memorandum das revelações e pedidos para ser entregue a Bento XV.

Foi esse memorando que terá movido este Papa a comprar por 1921, antes de morrer (22 de Janeiro de 1922) um terreno meio pantanoso no Parioli, na periferia norte da cidade de Roma, não longe da Embaixada de Portugal junto da Santa Sé, para construir a que iria ser a grande Basílica dedicada ao Imaculado Coração de Maria, na praça Euclides, a qual, por isso, às vezes é chamada Igreja de Santo Euclides. Hoje, porém, a Basílica está na Avenida do Imaculado Coração de Maria.

A construção começou em 1923 com uma doação dos emigrantes italianos do Canadá. O projecto que o arquitecto Armando Brasini fez era demasiado ambicioso, de cúpula monumental e pesado demais para os terrenos pantanosos, pelo que teve que ser modificado várias vezes.

Em 1936 estava construída a cripta que o Papa Pio XI confiou aos Missionários Claretianos do Imaculado Coração de Maria, sendo criada a paróquia no mesmo ano, a 10 de Maio. Só em 1951 foi terminado o tambor que substituiu a grande cúpula inicialmente projectada e construído o edifício paroquial e a residência dos missionários. A construção teve apoios de todo o mundo católico. Mas esta igreja não é de confundir, como já aconteceu ao autor, com a de Santo Eugénio, também em Roma, à qual Portugal ofereceu o altar de Nossa Senhora de Fátima.

O seu aspecto exterior é realçado com um conjunto de 28 colunas que circundam e suportam a fachada e o frontão que tornam a sua estrutura monumental. Foi terminada em 1952 no tempo de Pio XII e João XXIII elevou-a a basílica menor em 23 de Maio de 1959. No interior, em forma de cruz, apresenta no altar-mor um mosaico do Coração de Maria.

Como nota pessoal direi que participei na Missa Nova do Cardeal José Saraiva Martins, celebrada nesta igreja em Março de 1957.

É de esperar que o processo de beatificação da Madre Virgínia divulgue mais dados sobre a construção desta Igreja e aprofundem o papel de Bento XV no seu planeamento e na aprovação das revelações feitas à Madre Virgínia, trazendo mais pormenores sobre o papel carismático da Serva de Deus na promoção do culto e devoção ao Imaculado Coração de Maria, não apenas na Madeira, mas também em Roma e no mundo.
A postulação da Causa de Beatificação irá certamente “descobrir” e estudar, nos Arquivos do Vaticano, o memorando “Síntese da Mensagem confiada à Madre Virgínia, entregue a Bento XV em fins de Outubro de 1919” e a carta que a Madre escreveu a Bento XV em 1915. Ocorre lembrar que a redacção do Segredo que Nossa Senhora confiou a Mélanie e Maximin em 1846 em La Salette se perdera no Vaticano desde 1851 a 2000. Foi a redacção de 1951 entregue ao Papa Pio IX por dois cónegos enviados especiais do Bispo de Grenoble. Dadas por perdidas foram com efeito descobertas em 2000 por Michel Courtville (Cf. Découverte du secret de La Salette, Fayard, Paris 2002 p.9) o qual as estudou e inseriu na sua tese monumental sobre essa aparição.

Temos que confiar nos caminhos de Deus e de Nossa Senhora agora também em relação aos pedidos que o Imaculado Coração de Maria fez à Serva de Deus, Madre Virgínia.

Funchal, 1 de Janeiro de 2011
Aires Gameiro, OH

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