Jornal de Opinião

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10/05/10

O Papa em Protugal...

O Papa vem a Portugal.


Sua santidade virá ao Terreiro do Paço – o coração do país, rumará depois a Fátima – o coração da igreja portuguesa, e despedir-se-á no Porto – o coração do norte e o gene de Portugal.
Quem é Bento XVI?
Joseph Ratzinger nasceu em Markt, diocese de Passau – Alemanha, no dia 16 de Abril de 1927 (Sábado Santo) e foi baptizado nesse mesmo dia, na Vigília Pascal.
O pai, comissário da polícia, provinha de uma antiga família de agricultores da Baixa Baviera, de modestas condições económicas. A mãe, filha de artesãos, antes de casar, trabalhara como cozinheira em hotéis da sua região.
A infância do papa decorreu numa pequena localidade, perto da fronteira da Áustria, a 30 quilómetros de Salzburgo, onde, num ambiente “mozarteano”, recebeu a sua básica formação humana, cristã e cultural.
A sua juventude não foi fácil: nesses tempos, o regime nazi perseguia ferozmente a Igreja Católica, como depois a perseguiu o comunismo, como agora a persegue o laicismo. Ratzinger testemunhou um dia, com amargura e revolta, o espancamento e a tortura do seu pároco antes da celebração da Santa Missa.
Foi nesse ambiente terrível de medos e de mentiras que o papa actual descobriu a beleza da verdade e o valor da fé em Cristo.
Ordenado sacerdote em 29 de Junho de 1951, iniciou um ano depois a sua famosa carreira de professor: primeiro na Escolas Superiores de Freising e Bona, depois em Munster, mais tarde na Universidade de Tubinga e, finalmente, já como Professor Catedrático, na Universidade de Ratisbona, onde foi também Vice-Reitor.
De 1962 a 1965, prestou um notável contributo no Concílio Vaticano II, como perito especialmente convidado e apreciado.
Sagrado Bispo de Munchen em 28 de Maio de 1977, e adoptando como lema da sua vida pastoral “seguir a verdade e estar sempre ao seu serviço”, assim justificava a sua escolha: “No mundo actual omite-se quase totalmente o tema da verdade, parecendo algo demasiado grande para o homem; e todavia, tudo se desmorona se falta a verdade”.
Nomeado Cardeal pelo Papa Paulo VI, participou activamente na eleição do Papa João Paulo I, em Julho de 1978, e do papa João Paulo II em Outubro do mesmo ano.
Nomeado por João Paulo II Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, em 25 de Novembro de 1981, e sendo ao tempo o mais conhecido teólogo do mundo, foi ele também o Presidente da Comissão encarregada pelo mesmo papa de preparar o Catecismo da Igreja Católica que demorou seis anos a redigir.
Sendo um dos maiores luminares do conhecimento humano na época em que vivemos, é membro de diversas Academias Científicas e recebeu numerosos doutoramentos “honoris causa”em universidades da Europa e da América.
Para além de ser um hábil pianista, domina pelo menos seis idiomas.
Quando, depois da morte de João Paulo II, houve necessidade de eleger um novo papa, o conclave que o escolheu, em 19 de Abril de 2005, foi um dos mais breves de sempre: o seu amor à verdade, a sua dedicação à Igreja, a sua estatura moral, a sua postura ética, a sua capacidade de liderança e a sua carreira científica impunham-se de tal modo que não houve dúvidas em elegê-lo quase de imediato.
Na altura em que foi eleito, houve amplas camadas da sociedade que, estando ansiosamente à espera de um papa mais novo e mais “aberto aos novos tempos”, se sentiram desiludidas e defraudadas apelidando o papa eleito de conservador e retrógrado.
Talvez não percebessem que o Evangelho de Jesus – a doutrina que a Igreja segue e o estatuto a que a Igreja obedece – não deve nem pode adaptar-se aos anseios fáceis e aos caminhos largos de uma sociedade libertária que se afasta progressivamente de regras e de valores e que vai caminhando para o abismo sem se dar conta.
Não é o Evangelho que tem de ser adulterado para corresponder às mentalidades e aos costumes novos da sociedade. A nossa sociedade é que tem de abandonar muitos dos seus comportamentos e atitudes que só dão uma felicidade fácil e ilusória, pôr-se o mais depressa possível de acordo com o Evangelho e adoptar os valores que o Evangelho proclama e defende como indispensáveis às pessoas para serem verdadeiramente felizes e viverem uma vida com futuro e com esperança.
A Igreja Católica e o Papa de Roma têm a obrigação solene e séria de serem no mundo a grande referência da vida, o grande baluarte na defesa dos valores universais, a clara luz do pensamento e da verdade e a baliza segura das etapas dum mundo que caminha às vezes por caminhos ínvios e perigosos.
Ora, o Papa é isso mesmo. Deve ser isso mesmo. E tem vindo a sê-lo.
A grande luta de Bento XVI é contra o “relativismo” e contra o “secularismo” que dominam o mundo e parecem contagiar tudo e todos, nesta sociedade de hedonismo e de consumo que caracteriza os nossos dias. Ele percebeu que é essa a sua missão. Ele deu conta de que é esse o melhor serviço que pode e deve prestar ao mundo do seu tempo. E está a fazê-lo. Com grande serenidade e coragem. E com um sorriso e uma confiança que desarma os seus atrevidos inimigos. Com a mesma coragem com que João Paulo II derrubou os muros que esmagavam a liberdade em amplas regiões do mundo e reduziam as pessoas a peças de uma máquina que controlava tudo e todos: até as próprias consciências.
Bento XVI não é um demagogo qualquer que baliza os seus discursos pelo êxito que deles pode resultar! Ele é o Pai e o Pastor a quem Jesus confiou as suas ovelhas para as confirmar na Fé e na Verdade.
É isso o que ele vem fazer!
E é disso que nós, os portugueses, e todos os povos de mundo precisamos certamente.
Viva o Papa.

Resende, 02 de Maio de 2010

J. CORREIA DUARTE





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