Jornal de Opinião

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10/05/10

Bento XVI, identidade do cristão e abcessos sociais (notas)

O Papa actual ficará na história como papa dos abcessos da pedofilia e outros desvios da fé e racionalidade. Todas as revoluções violentas e não violentas são fracturantes. Impõem mudanças aceitáveis e mudanças arbitrárias e insustentáveis, imorais, a médio, longo e prolongado prazo. As primeiras consolidam-se, as arbitrárias tendem a regredir lentamente ao ponto de partida até reduzir as fracturas culturais. As fracturas são perdas de níveis de harmonia de mais valia que as tais mudanças fracturantes arbitrárias. Enquanto duram estas semeiam abcessos pelo corpo social que se desenvolvem e proliferam em novas fracturas e novos abcessos.

Deixando para trás as revoluções da Reforma e Contra-reforma, para as quais também valem estas notas, as mudanças arbitrárias da Revolução Francesa continuam presentes na sociedade actual em metamorfoses fracturantes diversas: deusa razão, rejeição da cultura cristã europeia, ausência de algo harmonizador, imposição de idolatrias sedutoras…Sofre-se com a falta de harmonia social. No trio de liberdade, igualdade, fraternidade falta o valor verdade e um princípio unificador, harmonizador. Falta uma referência e critério para a liberdade, igualdade e fraternidade.
As revoluções liberais posteriores têm sido um suceder-se de novas edições de mais do mesmo. A revolução comunista foi a mais clamorosa e radical e arbitrária de todas. Os seus abcessos de irracionalidade e violência arbitrária indescritível quase se pensava que seriam conquistas definitivas. Duraram setenta anos! As revoluções nazi e fascistas e os seus abcessos arbitrários duraram menos mas ainda assim longos anos. Umas e outras podem ser vistas como sucessivos desvarios da revolução francesa. Todas mantiveram ou agravaram as fracturas sociais, provocaram abcessos dentro e fora das instituições. Parecia que após os conflitos sangrentos das duas grandes guerras e do seu alastrar pelo mundo, a União Europeia se tornava uma esperança para sarar as fracturas culturais e trazer harmonia. Já se duvida. Entretanto a desarmonia cultural fracturante revestiu-se de guerra fria e de novas revoluções pelo mundo das independências dos países colonizados, dos Maios 68…(e 25s de Abril). O Vaticano II surgiu como uma enorme esperança de harmonização para dentro e fora da Igreja católica capaz de curar feridas e sarar fracturas culturais e religiosas. E a esperança ainda se mantém. Contudo não tardaram a rebentar, antes e após o concilio, abcessos inesperados de imoralidade, perda de fé, revoltas contra o papa, desvarios libertários de sexo, infidelidade aos compromissos mais sagrados, práticas de pedofilia, pederastia e homossexualidade dentro e fora da Igreja, à mistura com ondas de protestantismos pós-conciliares. Foram surgindo vários surtos arbitrários de outras metamorfoses revolucionárias em que não é difícil enxergar as sementes de todas as anteriores.
E agora aí temos o Papa Bento XVI disposto a lancetar estes abcessos sociais, culturais, políticos e religiosos. Mas faz doer e muito. É preciso muita coragem, firmeza e fé num Poder que está acima dele e que é o Senhor da História. Enquanto não se conseguir sarar as feridas e as fracturas arbitrárias e desarmonizadoras da cultura não poderá haver algum sossego e paz. Bento XVI tem muitos contra o seu projecto; fora, como seria de esperar, e dentro/fora da catolicidade. Mas o que é isso para o número astronómico dos que estão com ele à volta de Jesus Cristo e de Nossa Senhora de Fátima. É pois uma esperança o facto de que na sua peregrinação a Fátima Bento XVI não está só. Tem muita ajuda do Alto e muita dos seus irmãos/Igreja.
Fátima, 5 de Maio de 2010.
Aires Gameiro


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