Jornal de Opinião

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15/10/09

Código genético da Acção Católica

Ando há 40 anos na Acção Católica como conselheiro diocesano de um dos seus movimentos, a actual Acção Católica Rural, embora menos “praticante” nos últimos anos, devido à missão paroquial que desempenho. Feitas as contas, a minha “pertença” à Acção Católica é quase “genética”: a minha mãe e uma irmã já pertenciam à Acção Católica quando eu ainda era criança. Nasci com a Acção Católica, movimento eclesial que agora completa 75 anos, comemorados no Porto, em 7 e 8 de Novembro próximo.

A Acção Católica, que chegou a ter 20 organismos, dez para adultos, homens e mulheres em separado, e dez para jovens, também uns só para rapazes e outros para raparigas, foi a “universidade popular” para milhares e milhares de portugueses.

É um movimento que sempre privilegiou a metodologia e a espiritualidade da revisão de vida, tentando que os seus membros, pessoal e, sobretudo, em grupo, vejam as realidades da vida, as iluminem com as orientações bíblicas, em particular os evangelhos, e programem acções concertadas para a transformação de mentalidades e dos meios sociais em que vivem. Foi sempre um saudável movimento de acção que preparou os cristãos para deixar marcas na vida que assumiam com critérios profundamente humanos e cristãos.

Ao contrário de outros movimentos eclesiais da época ou mais modernos, a Acção Católica nunca teve uma teoria e uma prática de ver, julgar e agir como se fosse o único movimento para a santificação e a salvação das pessoas. Era um caminho e uma espiritualidade entre outras vias de crescer na fé e na vida.

Um dia, em Fátima, participei numa reflexão, a nível nacional, sobre a actualidade da Acção Católica. Tive a ousadia de dizer que tinha “nostalgia” dos tempos áureos da Acção Católica, mas fui logo mal interpretado e até censurado, como se fosse um velho que só sabe desejar que o tempo volte para trás!

Não, não era essa a minha intenção, mas, tão-só que a Acção Católica continuasse hoje, embora menos massiva do que antes, a ser fermento no meio da massa. Queria manifestar a minha gratidão pelo testemunho de tantos cristãos leigos que se cruzaram comigo nos caminhos da vida e, em Acção Católica, aprenderam a excelência do apostolado associado e organizado, que lhes deu sentido para a vida e os ajudou a ser solidários com a transformação dos meios sociais a que pertenciam.

O Concílio Vaticano II (1962-1965) fez sua a metodologia da revisão de vida na sistematização das orientações teológicas e pastorais dos seus 16 documentos. Depois dele, todos os Papas fizeram referências amáveis sobre a Acção Católica, dando-lhe alento para que continue a formar cristãos activos e para que os caminhos de vida cristã não se fiquem, tentação muito recente, por um espiritualismo alheio à sorte das pessoas, que são, como sabemos, a bendita “paixão” de Deus.

RUI OSÓRIO
conegoruiosorio@diocese-porto.pt

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