Jornal de Opinião

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19/09/11

Ai, se eu fosse rico!

Num suspiro quase incontido muitas pessoas tentam concretizar este desejo: ‘ser rico’ e com isso conseguirem viver (talvez) sem trabalhar, usufruindo de certas mordomias, gozar de outras regalias... numa espécie de preguiça militante e (até) malévola... quanto baste.

Para tentar atingir tal desejo uns jogam nos mais díspares concursos e jogos de fortuna/azar, outros tentam conseguir algum sortilégio ou mesmo herança, mas muito poucos anseiam serem ricos trabalhando honesta e lealmente.

1.Breve diagnóstico
Acabado o tempo de férias – mais ou menos oficial – do Verão terminado, teremos de enfrentar (quase irremediavelmente) uma vaga de manifestações dos promotores da contestação, seja sindical e político/partidária, seja dos setores mais ou menos atingidos pela contenção económico/financeira.
- Daqueles que contribuíram – pela falsidade dos números e das opções políticas – vemos uma espécie de assobiar para o lado, não se sentindo corresponsáveis pelo descalabro do país nem pela vergonha da Nação, que vive, agora, de mão estendida à pedinchice europeia... pagando todos nós os erros de alguns.
- Daqueles que sempre vivem, sobretudo, da miséria alheia, vemos uma razoável pretensão em serem paladinos duma salvação, quando afinal, o que eles desejam é esse ‘quanto pior melhor’, pois sobrevivem dalguma desgraça alheia em ordem a crescerem na sua maledicência, seja ela sindicalista, seja autárquica ou mesmo interesseira de projetos internacionalistas de sabor (já) esgotado... noutras paragens e ideologias.
- Daqueles que fogem quando as coisas correm mal – sem quase nunca responderem nem serem responsabilizados pelos erros ou pelas más opções que deixaram o país na miséria – espreitam, novamente, alguma oportunidade de voltarem ao lugar da projeção, da promoção e mesmo da nova rentabilização dos conhecimentos – há quem lhe chame lóbi – tidos e havidos no desempenho da função... dita social.
Sem pretendermos fomentar qualquer ‘caça à bruxas’, não será conveniente vivermos para sempre embuchados... na convicção de que vale tudo e ninguém assume as suas responsabilidades, tanto pessoais como grupais e político-partidárias!

2. Alguns desafios
Talvez tenha chegado o tempo de sermos (minimamente) sérios para levantarmos o nosso país na prossecução de um projeto nacional – sem tentarmos esconder um certo teor mais ou menos nacionalista – onde cada um sente as necessidades alheias como intenções pessoais e faz das debilidades próprias um alavancar de força para vencer com a ajuda dos outros... em sintonia, em concordância e como imperativo de consciência comunitária, que é mais do que coletiva ou bem intencionada... consumista.
- Daqueles que têm a força económica precisamos que ponham os seus bens ao serviço dos outros, sem medo de serem vilipendiados por esses que empregam... tanto nas horas de sucesso, como nos momentos de (indesejável) insucesso. Certos empregados precisam de ser educados e uns tantos empregadores manifestam, por seu lado, uma urgente necessidade de reciclagem em ordem ao bem comum, profissionalizando-se e tornando-se empresários, que é muito mais do que serem (meros) patrões!
- Daqueles que vivem na esfera sindical precisamos que tenham visão de futuro, tanto nas reivindicações como nas manifestações de contestação, pois, se o direito lhes assiste a exigirem, o bom-senso deverá nortear os objetivos atuais e, particularmente, os futuros. Estamos a ser escrutinados por quem nos empresta o dinheiro e não podemos deitar tudo a perder com pruridos de poderzinhos interesseiros!
- Daqueles que têm o dinheiro – mesmo sem ser, totalmente, esmiuçado pelos impostos – esperamos que sejam capazes de criar condições para investirem, atendendo às razões e não às meras emoções... espevitando a criatividade e não enrolando-se na mera incapacidade de serem compreendidos pelos (ditos) trabalhadores.

Afinal, pretender ‘ser rico’ exige bom-senso e discernimento, pois nem sempre aqueles a quem se dá a mão e, por vezes, o pão têm consciência do esforço para tal continuarem dele a usufruírem. Deus nos livre de certos ‘pobres’ virem a ser ricos... tudo e todos esmagariam com a sua prosápia e inconsciente ambição!

António Sílvio Couto
(asilviocouto@gmail.com)


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