Jornal de Opinião

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03/02/11

Ao Compasso do Tempo - Crónica de 04 de Fevereiro de 2011

Dois problemas emergem no âmbito nacional e internacional no decurso dos últimos tempos.

1. Na perspectiva mais próxima, o diferendo político entre escolas privadas e públicas não me deixa esquecer o adágio: “casa onde não há pão, todos discutem e ninguém tem razão”. Há razões indiscutíveis (o Governo tem bem a obrigação de cumprir o prometido, não alterando estratégias a meio do ano, do ponto de vista monetário) a favor de um lado (o privado), sem que até ao momento em que escrevo (4.ª feira, dia 2) tenham surgido explicações desejadas. Mas não nos precipitemos.
Só que estranho a ausência de uma comunicação mais pedagógica em ordem a dissipar o parecer preconceituoso: “ O que se pretende é ter facilidades e privilégios” (na privada). Porque há questões de tom naturalmente financeiro, legítimas nas condições da justiça que os rege, era indispensável pôr o acento primeiro no projecto educativo, na qualidade do saber transmitido, no tom activo da aprendizagem, nas expectativas de um mundo que forma, sem garantias dum futuro.
Gostava de, antes de mais, captar a mensagem mais essencial: dentro da liberdade constitucional, as privadas não auferem de privilégios de fidalguia, nem as públicas são construídas, em sectores onde está garantida a existência das citadas, e sempre excluídos excessos e acrescentos…
Mas parece-me que há mais uma “rabanada de vento” no mundo português por questões de economicismo… Exija-se rigor na gestão de meios iguais. E, em vez de gritos (clamores esses, noutras eras julgados desagradáveis, só porque eram objecções aos senhores (as) da administração política…), era exigível que fosse apresentado ao país um quadro completo de todas e de cada uma das escolas do país, públicas e privadas, do seu projecto educativo e das suas condições iguais de exercício (na linha do apresentado por peritos da Universidade de Coimbra). Porque se trata de escolas, esse gesto de investigação e de estudo, e da sua publicação, era muito mais aconselhado! Mas dá trabalho. Este, o problema!

2. Do ponto de vista internacional, um Egipto a sair da ditadura e a ingressar na democracia, sob a vigilância do radicalismo islâmico, aguardando a sua hora, é acontecimento político muito sério, no tocante à esperança e ao medo… Mas por que razão tantos estadistas se calaram, e por motivos de ganho económico, sempre alimentaram quase uma parceria com a terra dos faraós?!

3. Tendo estes, e tantos outros na minha mira, bem precisava de perceber o alcance do seguinte juízo de valor, emanado do movimento “Comunhão e Libertação”, a propósito das presidenciais e da crise vigente: “A família não educa; a escola não ensina; a Igreja retira-se. E tudo se espera e pede ao Estado” (Revista “Passos”, Janeiro de 2011, p. 11)
Felizmente que, no seu todo, a Igreja nunca “se retirou”. Mas só cada um sabe do que se passa na sua casa. E, nos dias em que estamos…

D. Januário Torgal
04 de Fevereiro de 2011

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