Jornal de Opinião

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19/11/09

Dívidas e prioridades nas compras... em vésperas do Natal

Perto de três milhões de portugueses têm sérias dificuldades em pagarem as suas despesas normais. «São quase 850 mil casas, com famílias tipicamente numerosas, que estão severamente atingidos pela crise, reduzindo os seus gastos em produtos de grande consumo em 3,1%» – refere um estudo de uma empresa de comunicação ligada às questões de economia. Os sectores mais atingidos nos cortes nas despesas foram a alimentação e os produtos de limpeza para a habitação. Nota-se ainda uma ligeira mutação nos hábitos de compras, pois os inquiridos disseram que vão menos vezes às compras, mas compram em maior quantidade, sendo os preferidos a comida pronta, os congelados e as sobremesas... evitando gastos em restauração.

Outros dados recolhidos pela mesma empresa referem ainda que, nos primeiros nove meses deste ano, os portugueses preferiram comprar roupa – aproveitando sobretudo as promoções e os saldos – em detrimento de artigos para a alimentação.

Se estas notícias acrescentarmos que o índice de desemprego está em 9,8%, com mais de meio milhão de atingidos (547 mil), estamos a viver uma época difícil que nem os festejos natalícios irão encobrir as mazelas mais fétidas da nossa sociedade... De facto, teremos de ter alguma contenção para não corrermos o perigo de ofendermos quem está a passar maiores dificuldades e para sermos dignos da confiança depositada pelos outros... em nós, cristãos.

* Noção dos riscos... avaliação das possibilidades
Numa época em que se tenta exaltar a ambição – económica ou social, profissional ou nacional, pessoal ou de grupo – temos de saber discernir os riscos, as possibilidades e as deficiências... dos nossos anseios e projectos.
- Quantas vezes pessoas e famílias se deixam seduzir por empréstimos ‘fáceis’ e depois têm dificuldade em honrar os compromissos, levando os bancos e outros emprestadores a sugarem as suas parcas economias, deixando-lhes cicatrizes de difícil gestão...
- Quantas vezes pessoas e famílias embarcam em promoções ‘baratas’, mas que passado pouco tempo se tornam imbróglios com ramificações tentaculares de indisfarçáveis consequências até para os vindouros...
- Quantas vezes pessoas e famílias se deixam arrastar para projectos ‘ambiciosos’ mas que mais não são do que teias de habilidosos profissionais ao sabor das cumplicidades de incautos assanhados pela vaidade...
Perante estas breves considerações, necessitamos de nos questionarmos sobre se sabemos – ou disso temos correcta consciência – avaliar as mais variadas ‘ambições’ com que temos de nos enfrentar... continuamente.

* Avaliação dos riscos... noção das possibilidades
Por vezes corremos o risco de ora nos agigantarmos, ora nos vitimizarmos perante as múltiplas situações onde se envolve o nosso presente e o nosso futuro, pois das correctas decisões de hoje dependerá um amanhã de confiança, tanto em si mesmo como para os outros: não nos podemos hipotecar, sem a necessária avaliação dos riscos e as nossas possibilidades futuras.
- Quantas vezes uma má avaliação dos riscos pode manifestar um incorrecto conhecimento de si mesmo e das suas potencialidades, desde as conhecidas até àquelas que estão em embrião.
- Quantas vezes uma negligente noção das reais possibilidades poderá levar-nos a criar imagens desfasadas da prossecução dos objectivos mínimos... e exequíveis.
- Quantas vezes se pode notar uma certa desconexão entre os passos dados e as passadas intentadas, pois as metas pretendidas (até) estão demasiado longe das etapas percorridas.
Agora que caminhamos rumo à época natalícia, tentemos ser sóbrios nas compras, nos presentes ou nas prendas, pois o respeito pelos outros manifestar-se-á pelo comedimento pessoal, familiar e social... em tempos de crise ou a tentarmos (já) sair dela!

A. Sílvio Couto

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