Jornal de Opinião

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18/07/12

Os Quarenta Mártires do Brasil - Revisita Histórica

Segundo as investigações mais recentes, a verdadeira data do descobrimento do Brasil regista-se a 22 de Abril de 1500. Frei Henrique de Coimbra, superior dos franciscanos que acompanhavam Pedro Alvares Cabral, foi o primeiro Sacerdote que celebrou Missa no Brasil, a 26 de abril, na Coroa Vermelha e a segunda Missa foi celebrada a 1 de Maio, junto à cruz erguida na costa, próxima da praia e do mar. Os primeiros Jesuítas, missionários do Brasil, seguiram na armada do governador-geral Tomé de Sousa, que partiu de Lisboa a 1 de Fevereiro de 1549 e chegou à baia de Todos os Santos a 29 de Março. Eram apenas seis jesuítas. No Domingo, dia 31 de Março, o Padre Manuel da Nóbrega celebrou Missa diante dum improvisado Cruzeiro. Posteriormente, «sucederam-se regularmente as expedições missionárias enviadas de Portugal e alargou-se de modo assombroso a acção da Companhia. De 1549 a 1604 contam-se 28 expedições. Em 1586, iam jesuítas do Brasil fundar a primeira missão do Paraguai. (…). Logo desde os primeiros anos, a missão do Brasil deu à Companhia numerosos mártires. Em 1570, foi atacada no alto-mar por corsários franceses, comandados por Jacques Sória, uma expedição que saíra de Lisboa com setenta missionários: o padre Inácio de Azevedo foi martirizado com mais 39 companheiros no dia 15 de Julho, e os restantes sofreram igual sorte em 13 e 14 de Setembro de 1571.» (Cf. OLIVIERA, Pe. Miguel de, História Eclesiástica de Portugal, Publicações Europa-América, 1994, pág. 152). Eis o assunto do nosso artigo. O livro de Maria Valentina Machado e Marcelino Caldeira, (Irmãos de Muita Virtude – Vida do Beato Domingos Fernandes de Borba, Jesuíta e mártir do Brasil (1551-1570), Ed. Paulinas, 2011, pág. 17-18) conta-nos que «Em finais de maio de 1569, Inácio de Azevedo vai a Roma para pedir missionários para o Brasil. Consigo leva mensagens e recomendações do rei D. Sebastião, de Frei Bartolomeu dos Mártires 16, Arcebispo, Primaz de Braga, do Provincial de Portugal e do Pe. Luís Gonçalves da Câmara. De igual modo leva esmolas dos monarcas portugueses para o Papa e também para o prepósito-geral (superior-geral) da Companhia, destinadas à construção da Igreja de Jesus. Quando chega a Roma, no mês de junho, expõe ao Padre Geral, com entusiasmo e preocupação, as urgentes necessidades existentes no Brasil. O papa São Pio V recebeu-os e escutou agradecido e com interesse os seus projectos missionários.». Inácio Azevedo deixou Roma nos finais de Julho de 1659 e dirigiu-se a Portugal e a Espanha com o intuito de recrutar voluntários para as Missões. Em Portugal a Companhia de Jesus tinha experimentado uma grande expansão, por isso S.to Inácio de Loyola constituiu Portugal como a primeira Província da sua companhia. Muitos eram as possibilidades de em Portugal se encontrar voluntários para as Missões do Brasil: «Em Coimbra, tiveram os jesuítas, além do colégio de Jesus, (…), o das Artes, que D. João III lhes entregou em 1555, (…). Em Évora, inauguraram colégio em 1553 e tomaram conta da Universidade fundada pelo cardeal D. Henrique (1559).Em Lisboa, estabeleceram junto à ermida de S. Roque a primeira casa professa, em 1553; neste mesmo ano, abriram as suas primeiras aulas públicas na velha casa de Santo Antão, que em 1593 transferiram para o edifício chamado de Santo Antão-o-Novo, (…). Em 1560, fundaram o colégio de S. Lourenço do Porto, dirigido por Francisco de Borja, e tomaram conta do de S. Paulo de Braga, sob a direcção de Inácio de Azevedo. Em 1561, inauguraram o colégio do Santo Nome de Jesus em Bragança; em 1599, estabeleceram residência em Faro; em 1601, fundaram a casa professa de Vila Viçosa; em 1605, começaram o colégio de Portalegre; em 1621, o de Santarém.» (Cf. OLIVIERA, Pe. Miguel de, op. cit., pág. 167). Sabemos que inicialmente se ofereceram mais de 300 jovens para as missões do Brasil, que após as exigentes preparações, o número se reduziu para 70, acabando por embarcar 40. Na sua maioria, os 40 “Mártires do Brasil”, contavam com idades compreendidas entre os 20 e 30 anos, mas haviam jovens, um com 15 anos, outro com 16 anos, quatro com dezassete, nove com dezoito e seis com dezanove anos. Dois deles eram sacerdotes, os Padres Inácio de Azevedo e Diogo de Andrade; um era Diácono, Gonçalo Henriques, treze eram Irmãos noviços, vinte e dois eram Irmãos estudantes que se destinavam ao sacerdócio, catorze eram Irmãos Coadjuntores, ia também, um Aspirante À Companhia de Jesus, João Adauto. Dos quarenta Mártires, beatificado por Pio IX (1846-1878) a 11 de Maio de 1854, 32 são Portugueses e oito são Espanhóis. No referente às Dioceses donde provinham, os 32 Jesuítas Portugueses constatamos que 10 provinham de Évora, 8 do Porto, 3 de Guarda, 2 de Braga. Das Dioceses de Coimbra, Ceuta, Leiria, Lisboa, Portalegre, Setúbal e Vila Real, provinha um de cada uma. Da nossa arquidiocese, os 10 Mártires dela originais, pertencem às seguintes localidades: Viana do Alentejo: B. André Gonçalves; Montemor-o-Novo: B. António Fernandes; Fronteira: B. Pedro Nunes; Estremoz – B. Manuel Ávares; Évora: B. Luís Correia e Luís Rodrigues; Elvas: B. Aleixo Delgado e Álvaro Mendes; Alcácer do Sal: B. Francisco de Magalhães; Borba: B. Domingos Fernandes. A baía de Tazacorte, na ilha de La Palma, testemunhou o martírio dos Quarenta Missionários lançados ao mar: 4 deles já mortos, 17 lançados vivos sem ferimentos, 15 vivos e com ferimentos, 4 deles desconhece-se, se foram lançados vivos aos mortos, pois são dados como desaparecidos. Do porto de Tazacorte, nos estivadores e marinheiros perceberam-se que algo de trágico se passava com os Jesuítas, mas nada puderam fazer, senão recolher os cadáveres dos mártires. Nesta semana que celebra a Memória dos Bem-aventurados (17 de Julho), as paróquias de Borba colocaram uma imagem do Beato Domingos Fernandes na Igreja de São Bartolomeu e inauguraram uma estátua de mármore no largo da mesma Igreja. No dia 21 de Julho, também Elvas, sob a presidência do Sr. Arcebispo de Évora, vai colocar num dos altares da Igreja de S. Domingos a imagem do Beato Aleixo Delgado, junto à imagem do Beato Álvaro Mendes, seu conterrâneo e companheiro no martírio. Aos promotores destas duas iniciativas, a todos quantos apoiaram e se uniram em oração, os nossos parabéns e as nossas felicitações. Pe. Senra Coelho

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