Jornal de Opinião

São muitos os textos enviados para a Agência Ecclesia com pedido de publicação. De diferentes personalidades e contextos sociais e eclesiais, o seu conteúdo é exclusivamente da responsabilidade dos seus autores. São esses textos que aqui se publicam, sem que afectem critérios editoriais da Agência Ecclesia. Trata-se de um espaço de divulgação da opinião assinada e assumida, contribuindo para o debate de ideias, que a internet possibilita.

12/03/12

Para ti, Pai

Para ti, Pai:
Que labutas nesta sociedade de incerteza, de egoísmo e de superficialidade. Que procuras no dia-a-dia das corridas contra o tempo e dos sacrifícios manter a dignidade de quem não cruza os braços e abraça a sua missão. Que pela tua generosidade e abnegação és sinal de amor e de dedicação para os teus filhos.

Para ti, Pai:
Que tens a juventude na mão, que caminhas contra a corrente e que sentes uma grande indefinição… Que não tens medo de assumir com convicção a grandeza e a beleza da entrega como marido e pai. Que decides abraçar com o coração a vida, a família e a vocação. Sabendo que nem sempre surgirão as conquistas, os ganhos e as alegrias.

Para ti, Pai:
Que possuís um coração descontente com o lugar e o tempo, porque procuras a verdade, a entrega, a solidariedade. Que optas pela firmeza e pela educação dos teus filhos, embora isso traga grandes dissabores, tristezas e temores…

Para ti, Pai:
Que és filho e sabes perdoar e amar. Que aceitas conselhos, sabes ouvir e conversar… Que fazes uma aprendizagem da vida e sabes educar. Que acreditas que há algo superior…e valorizas a dimensão espiritual.

Para ti, Pai:
Que sofres os problemas gerados pela falta de emprego ou de um filho doente, e por isso sentes que o caminho é árduo e quase sem saída, devido a tanta dificuldade. E que apesar de tudo, te lembras que ainda há tempo para a esperança, para a partilha e para a solidariedade. Que a vida ainda se reveste de alegria e que o amor é o sinal maior da descoberta da vida e de quem quer ser melhor.

Para ti, Pai:
Que és velhinho, doente, sozinho, abandonado e não amado, só porque alguém se esqueceu de quem tanto lutou e por ele se entregou, sofreu e amou…! Que mesmo assim, ainda valorizas a luz e as cores, o mar e o sol, e que pela tua experiência e sabedoria, ainda encontras na vida algo de belo… para além de toda esta indiferença, solidão e ingratidão.

Para ti, Pai:
Que viveste e semeaste com amor. Que foste transmissor de valores, imprimindo na tua família as tuas marcas e a saudade… e que já estás junto do PAI…
Um enorme e eterno Obrigado!

Equipa da Pastoral Familiar Arciprestal de V. N. Famalicão




Ter um Pai! É ter na vida
Uma luz por entre escolhos;
É ter dois olhos no mundo
Que vêem pelos nossos olhos!

Ter um Pai! Um coração
Que apenas amor encerra,
É ver Deus, no mundo vil,
É ter os céus cá na terra!

Ter um Pai! Nunca se perde
Aquela santa afeição,
Sempre a mesma, quer o filho
Seja um santo ou um ladrão;

Talvez maior, sendo infame
O filho que é desprezado
Pelo mundo; pois um Pai
Perdoa ao mais desgraçado!

Ter um Pai! Um santo orgulho
Ter um Pai! Um santo orgulho

Pró coração que lhe quer
Um orgulho que não cabe
Num coração de mulher!

Embora ele seja imenso
Vogando pelo ideal,
O coração que me deste
Ó Pai bondoso é leal!

Ter um Pai! Doce poema
Dum sonho bendito e santo
Nestas letras pequeninas,
Astros dum céu todo encanto!

Ter um Pai! Os órfãozinhos
Não conhecem este amor!
Por mo fazer conhecer,
Bendito seja o Senhor!”

Florbela Espanca


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