Jornal de Opinião

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20/02/12

Quem semeia ventos...

No dia 17 de Fevereiro, preocupado com a baixíssima natalidade e o envelhecimento da população portuguesa (somos o país da Europa com a mais baixa percentagem de nacimetos), o senhor presidente da República reuniu em Cascais diversos especialistas em assuntos demográficos para lhes perguntar o que se deveria fazer para inverter no país esta situação, de gravíssimas consequências.

Efetivamente, o último Censo veio dizer que, em todo o país, a população diminuiu assustadoramente, que as camadas jovens são já uma pequena percentagem e que existem muitas zonas do território onde os óbitos superam em muito os nacimentos em cada ano, pondo à beira do fim inúmeras aldeias e vilas do interior.

Basta dizer que, só no último mês de Janeiro, naceram no país menos 750 bebés do que no mesmo mês de 2011.

As estatísticas dizem também que, desde 2007, data em que foi aprovada a lei do aborto (enganei-me…”lei da interrupção voluntária da gravidez” é que se deve dizer!!!), foram mortos, antes de nacer, 85 mil bebés, ou seja, uma média de 17 mil em cada ano!

Um verdadeiro massacre nacional…pago pelo povo com os seus impostos, com acesso imediato e sem lugar ao pagamento de taxas moderadora por parte das abortadoras, algumas a abortar uma e outra vez, como se de um simples método anticoncetivo se tratasse!

Uma vergonha nacional!

Não se lembrará o senhor presidente de que, enquanto esteve no governo, e já antes, desde o 25 de Abril, quase se obrigavam as mulheres portuguesas a evitar os filhos, e que foi ele quem, em 2007, promulgou a lei do aborto, sem sequer a enviar ao Tribunal Constitucional para saber da sua constitucionalidade?

Não saberá Sua Ex.cia que, durante dezenas de anos, nas instituições estatais ligadas à saúde pública, as mulheres portuguesas eram vivamente aconselhadas por médicos e enfermeiros a evitarem os filhos, em alguns casos chegando ao ponto de pôr a ridículo aquelas que não seguiam os seus conselhos?

Não sabe Sua Excelência que, enquanto os medicamentos necessários à saúde das pessoas são tão caros que muitas pessoas não os podem já comprar, os contracetivos habituais, as pílulas do dia seguinte e os preservativos de ocasião são postos ao dispor dos jovens e toda a gente nas instituições públicas ligadas à saúde, sem custos e sem obstáculos ?

Não sabe Sua Excelência que, por todos o país, ao longo destes 35 anos após o 25 de Abril, se criou de norte a sul a mentalidade do filho único, a ponto de serem consideradas tolas e apelidadas de atrasadas as mulheres que desejavam ou desejam ter mais algum?

Não sabe Sua Excelência que os filhos dão despesas e exigem sacrifícios e trabalhos e que, nesta sociedade individualista e consumista que os políticos favoreceram e criaram, se rejeita tudo o que pode impedir o prazer e o bem-estar, e se abraça com ânsia e sofreguidão tudo o que é conforto, luxo, vaidade e abundância? O facto de quase todos os casais atrasarem o nascimento do primeiro filho, anos e anos após o casamento, não terá a ver com isso?

Não vê Sua Excelência que, nos meios de comunicação social, nomeadamente nos programas de televisão, os entrevistadores e os assistentes se riam e continuam a rir, como bacocos levianos e irresponsáveis, quando alguma senhora tem a coragem de dizer que tem mais do que um filho?

Dir-se-á que neste tempo de crise e recessão não há possibilidades de ter filhos e de os criar. É um pouco verdade. Mas o problema não é só esse. A grande baixa de natalidade aconteceu nos tempos de fartura e abundância que houve no país.
Neste tempo de economicismo cego e de ambições desmedidas, como trabalham fora de casa, para o Estado ou para as Empresas, quase sem o direito de faltarem…, as mulheres nem têm tempo para ter bebés, nem para estarem com eles. Nem o Estado nem os patrões querem empregadas e trabalhadoras de parto, ou ocupadas na criação dos filhos!

Ao que se chegou! O que antes se considerava uma alegria e uma honra, hoje julga-se um empecilho, uma desgraça e uma vergonha!

O que será mais importante num país? Trabalho, mais trabalho…dinheiro, mais dinheiro…ou crianças alegres e pessoas mais felizes?

Todas as asneiras que a gente faz, acaba por pagá-las caras mais tarde. Com tantos idosos a receber pensões estatais (alguns recebem pensões de luxo e espavento!) e tão pouca gente nova a descontar para a Segurança Social, daqui a uns anos, vai ser um enorme problema. Muita gente se pergunta se, quando chegar a hora da sua aposentação, ainda lá haverá alguma coisa!

Há no país inúmeras aldeias, onde não há sequer uma criança a brincar nas ruas e nos caminhos, a alegrar e a dar vida! Só velhos tristes! Só velhos cansados! Só velhos abandonados!

Alguns autarcas, coitados, aflitos por verem as suas freguesias e concelhos a morrer aos poucos, têm vindo a dar subvenções e prémios às mulheres que ainda ousam ter filhos, acenando às outras para fazerem o mesmo.

Ao que se chegou! – repito.

Depois de tudo o que se fez e vem fazendo, que esperávamos nós?

-Quem semeia ventos, só pode colher tempestades!

Resende, 18.02. 2012
J. Correia Duarte

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