Jornal de Opinião

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17/02/12

A verdade da Igreja ... e as opiniões dos teólogos

Este é o início da minha postagem.

Um sacerdote amigo residente em Lisboa, sábio, e também santo no meu parecer, enviou-me há tempos um e-mail de protesto e desabafo, dizendo-me que tivera conhecimento das afirmações de alguns teólogos (incluídos uns espanhóis que tinham estado numa ação, aqui no norte, ali para os lados de Gaia), que repudiava os “seus dogmas”, que já não estava em idade de entrar por esses caminhos, e que o seu “Credo”, sem qualquer dúvida, era e seria sempre o que aprendeu na Catequese da sua aldeia e estudara nos livros do seu Seminário.

Efetivamente, eu tenho vindo a reparar, há uns anos a esta parte, que andam por aí alguns teólogos a interpretar as Escrituras a seu gosto e bel-prazer, dando-se ares de progressismo e novidade, a explicar a Bíblia toda e também o Evangelho com lucubrações ditas “científicas”, sem admitir intervenções divinas ou milagres de fé (na linha dos racionalistas enfatuados de séculos anteriores e dos atuais defensores da “Teologia da Libertação”, de cariz marxista e materialista), contestando presunçosamente a longa Tradição da Igreja, ignorando os profundos escritos dos Santos Padres, e desconhecendo os textos oficiais dos Concílios, que nunca citam nem referem.

Os dogmas e verdades que sempre constituíram o esqueleto da nossa Fé têm vindo a ser postos em causa por esses teólogos, e dizem-me que alguns deles até lecionam na Universidade Católica e em Seminários Diocesanos, o que, a ser verdade, além de estranho e lamentável, me parece muito perigoso, pela perniciosa influência que têm nas futuras gerações de pastores da nossa querida e amada Igreja.

Entre outras coisas, ouço-os negar o Pecado do homem e a Redenção realizada por Jesus, contestar a Virgindade de Nossa Senhora, explicar a Ressurreição de Cristo como uma mera convicção dos seus apóstolos que O dizem vivo apenas na Sua obra e no coração dos que O seguem, pôr em causa a virgindade e o celibato de Jesus, e pôr já também em questão a Sua própria Divindade…

Com que provas? Com que argumentos?

O “CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA”, aprovado pelo Papa João Paulo II, em 11 de Outubro de 1992, como resumo e explicitação do depósito da Fé, foi o fruto de um trabalho profundo e aberto de uma equipa de teólogos, peritos em teologia, presididos pelo então Cardeal Ratzinger. O “YUCAT”, catecismo elaborado para os jovens, foi publicado em Português no início do ano que terminou. Um e outro documento afirmam e reafirmam as verdades que aprendemos e que sempre professamos. Que categoria especial terão esses tais teólogos para inovar e defender doutrinas novas?

Admito que cada um possa ter a sua própria opinião e fruir da liberdade de pensar que é um direito fundamental inquestionável. Como agora já não heresias (segundo parece…) nem também Inquisição (felizmente!), tudo bem! O que eu não percebo são duas coisas: a primeira é que, sendo eles sacerdotes e estando dentro da Igreja alguns deles, como podem continuar a recitar o CREDO da Missa, onde se diz, afirma e proclama que Jesus é o “Filho Unigénito de Deus”, que “por causa de nós e da nossa salvação desceu do Céu”, que “encarnou pelo Espírito Santo no seio da Virgem Maria”, que “também por nós foi crucificado, morto e sepultado”, e que “ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras”; a segunda é como se deixam andar por aí esses teólogos, em jornais, em aulas, em debates, em conferências, em seminários e em congressos, a afirmar opiniões pessoais como se fossem dogmas, a tentar lavar o cérebro dos católicos e a confundir crentes de boa fé, sem ninguém que reaja e os contradiga, sem ninguém que lhes chame a atenção.

Ou andamos com medo… que nos chamem “dogmáticos” e outras coisas mais, ou já estamos a ficar anestesiados!

Esses mestres e doutores que tenham ao menos a ombridade de dizer que as suas afirmações são apenas opiniões e teorias suas e dos mestres que seguem como cães de fila, mas que não é essa a doutrina da Igreja!

É que as suas afirmações, repetidas aqui e ali, agora e logo, como se fossem dogmas, quer queiramos quer não, abalam e enfraquecem a fé de todos. Até eu, que nesse aspeto sou e quero continuar a ser um “verdadeiro reacionário”, sem saber como nem porquê, já começo a sentir a tentação e o receio de afirmar ou ensinar algumas coisas!...

No célebre e tão discutido “Segredo de Fátima”, nossa Senhora terá dito que, apesar da enorme e terrível apostasia que haverá no mundo e sobretudo na Europa, “em Portugal se manterá sempre o Dogma da Fé”?

Quem põe em causa o Dogma da Fé e a Verdade do Evangelho, senão esses teólogos que vagueiam pela Europa, alinhando e dando as mãos a todos os maçons e laicos que controlam a comunicação e o poder, que são seguidos fielmente em Portugal por esses nossos teólogos “inovadores”, e que têm até assento no próprio Vaticano, com desgosto e muito sofrimento para os Vigários de Jesus?

Que autoridade, santidade ou sabedoria especial têm esses teólogos, para contradizerem essas figuras de tantos séculos – grandes sábios e grandes santos – que, ao longo dos tempos, amaram tanto a Deus e serviram tão bem a Igreja? Esses inúmeros sábios e santos do passado e do presente andaram e andam enganados até hoje? Estão ou estiveram impedidos de descobrir a verdade e de denunciar os enganos ou os erros?

Claro que, pensando bem, logo se conclui que essas novas teorias, não passam mesmo de novas e pretensiosas opiniões da responsabilidade dos seus autores, e assim devem ser consideradas. Uma doutrina e uma tradição tão profundas e tão sérias da Igreja, só podem ser postas em causa por teses confirmadas e provadas por a + b, e sem qualquer possibilidade de discussão. Não chegam as opiniões inchadas e presunçosas de teólogos de agora, para pôr em causa verdades sempre eternas e doutrinas sempre bem fundamentadas.

Pela minha parte, enquanto Deus me der alguma lucidez, alinharei com o meu amigo de Lisboa: seguirei dedicadamente os Pastores da Igreja, aqueles que receberam o encargo e a responsabilidade de conduzir e guiar o Povo do Senhor; não os chamados “teólogos” que estudam nos gabinetes e ensinam nas cátedras, mas que, frequentemente, têm um enorme “deficit” de seriedade, de santidade e de responsabilidade.

É assim que eu penso.

Resende, 16.02. 2012
J. Correia Duarte

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