Jornal de Opinião

São muitos os textos enviados para a Agência Ecclesia com pedido de publicação. De diferentes personalidades e contextos sociais e eclesiais, o seu conteúdo é exclusivamente da responsabilidade dos seus autores. São esses textos que aqui se publicam, sem que afectem critérios editoriais da Agência Ecclesia. Trata-se de um espaço de divulgação da opinião assinada e assumida, contribuindo para o debate de ideias, que a internet possibilita.

12/12/11

Nossa Senhora, a Imaculada Conceição

Ao lado de Mãe de Deus o título de Imaculada Conceição dado a Nossa Senhora é também um dos mais antigos. Logo desde o Século II piedade cristã começou a intuir que Nossa Senhora teria tido uma conceição de excepção e privilégio em relação às outras criaturas humanas. A Ela se aplicava o que diz S. Paulo: “Deus escolheu-nos antes da criação do mundo para sermos santos e imaculados” (Ef. 1,4). No século IV Santo Agostinho afirmou que a “piedade impõe que Maria seja reconhecida sem pecado” (De natura et gratia,42).

Logo a partir do século IX se começou a celebrar a festa da Imaculada Conceição, chamada Nossa Senhora da Conceição na Igreja Ortodoxa; e daí a festa passa à Itália e logo à Inglaterra, donde se difunde por toda a Europa. Houve polémicas entre os teólogos sobre este privilégio de Nossa Senhora mas a festa continuou a celebrar-se nos séculos XII e XIII.
Não haveria Imaculada Conceição sem o Redentor Filho de Deus a ter pré-redimido e enriquecido com graça plena de redenção. O teólogo Duns Scoto, falecido em 1308 defendeu primeiro a sua Imaculada Conceição como provável e depois como possível e conveniente. Este teólogo desfez dúvidas e fundamentou a isenção do pecado e a plenitude da graça de Maria Imaculada, “ a sempre inteira”, na expressão de S. João de Deus nas suas cartas, em razão da aplicação antecipada da redenção operada por Cristo. Portanto é Imaculada Conceição em virtude da redenção antecipada do Filho de Deus e Filho de Maria, a quem ela deu a carne Redentora. Jesus redimiu-a na cruz e fê-la em antecipação Imaculada cheia de graça desde o primeiro momento da sua Conceição, como o anjo a saudou, e não apenas isenta de pecado. Aquela em quem Deus fez maravilhas.
A partir do século XV, após polémicas acesas pro e contra a Conceição Imaculada de Maria, começou a haver mais consenso sobre este culto na Igreja e tanto casas reais como universidades, como a de Coimbra, começaram a fazer o juramento de defenderem a Imaculada Conceição.
Santa Beatriz da Silva a Santa portuguesa do século XV alinhou com a numerosa corrente imaculista de fiéis na Igreja e antecipou-se ao dogma ao fundar a Ordem da Imaculada Conceição. Em 1830 foi a própria Virgem Maria que na sua revelação a Santa Catarina Labouré em Paris para lhe mostrar o desenho da Medalha Milagrosa que confirmou esta verdade ao mostrar a oração da medalha: Oh Maria Concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a vós. Vinte e quatro anos depois, em 1854, o Papa da Imaculada Pio IX proclamou como dogma de fé na Igreja o privilégio da Imaculada Conceição, faz hoje 157 anos. E Nossa Senhora quatro anos depois, em 1858 em Lurdes, confirmou este privilégio a Santa Bernardette Soubirous ao dizer-lhe : “eu sou a Imaculada Conceição”. Desde há 150 anos para cá não tem cessado de se desenvolver o culto e as revelações sobre esta maravilha da Senhora Imaculada e cheia de graça. Basta pensar nas de Fátima, nas da Madre Virgínia da Madeira e noutras.
Funchal, 8 de Dezembro de 2011
Aires Gameiro


0 Comentários:

Enviar um comentário

Subscrever Enviar comentários [Atom]

<< Página inicial