Jornal de Opinião

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24/10/11

Santa Beatriz estrela da coroa da Imaculada Conceição em Congresso

Santa Beatriz estrela da coroa da Imaculada Conceição em Congresso
Santa Beatriz da Silva e os 500 anos da sua Ordem foram celebradas por 200 participantes no Congresso Internacional da Ordem da Imaculada Conceição em Fátima, de 14 a 16.10.2011.

A organização foi da responsabilidade de historiadores do CLEPUL da Universidade de Lisboa e outros académicos vindos de universidades de Espanha, Brasil, Rússia, Portugal. Os contributos da teologia, da história da arte, do teatro e dos testemunhos de contemplação de Irmãs, vindas dos mosteiros de Portugal, Espanha e Brasil enriqueceram os conteúdos de tão magna realização cultural.

Os dados da investigações realçaram o lugar, afirmação e originalidade de Santa Beatriz, a sua devoção à sempre Imaculada Conceição, o seu lugar na história das mulheres cultas dos séculos XIV, XV e XVI. Foram evidenciados os temas da relação de Beatriz com a figura única da Imaculada Conceição, da presença desta na identidade de Portugal e do papel privilegiado das Irmãs da Ordem da Imaculada Conceição para manterem vivo o carisma do seu culto e dar-lhe um lugar central na vida da Igreja nos séculos passados e no presente.

Debateu-se a união da Imaculada Conceição com o seu Filho Jesus, mesmo quando os seus ícones não o explicitam, com excepção das chamadas Imaculadas franciscanas em que tem Jesus Menino no braços. Não haveria Imaculada Conceição sem o Redentor Filho de Deus a ter pré-redimido, ficando nela como graça plena de redenção, como explicitou Duns Scoto. Este teólogo desfez dúvidas e fundamentou a isenção do pecado e a plenitude da graça em Maria Imaculada, “ a sempre inteira”, na expressão de S. João de Deus nas suas cartas. Imaculada Conceição em virtude da redenção antecipada do Filho de Deus e Filho de Maria, que lhe deu a carne Redentora. Jesus redimiu-a na cruz e fê-la em antecipação Imaculada cheia de graça desde o primeiro momento da sua Conceição, como o anjo a saudou e não apenas isenta de pecado. Aquela em quem Deus fez maravilhas.

Santa Beatriz, por sua vez, recebeu o dom de acreditar que Maria era a Imaculada, a enriquecida por seu Filho. E recebeu o dom de se entregar a Ela e de lhe entregar a Ordem que quis fundar. Vem à mente a Virgem Imaculada de Guadalupe, México, revelada em 1531, em imagem real aos olhos de todos, e aos olhos da cultura local, sem distância mesmo aparente entre Ela e Jesus. Maria imprimiu no manto de fibra de cacto do “Joãozito Diogo”, a sua imagem que logo se fez livro aberto para a cultura dos azetecas. Tem o cabelo solto, é virgem; tem o tronco cingido por uma faixa, é mãe. Virgem e mãe, Mãe já grávida de Jesus. Tapa o sol, é mais que o deus sol azeteca; pisa a lua serpente do mal, está acima dela; está ornada de estrelas no seu manto, é mais que todos os deuses estrelas; tem as mãos erguidas em oração a Deus, não se apresenta como deusa.

Naqueles três dias em Fátima os 200 participantes, orientados por dados da história, contemplaram a Imaculada Conceição com o seu Filho ao colo ou no seu seio, a partir da vida da estrela Santa Beatriz da Silva. Santa Beatriz com a numerosa corrente imaculista de fiéis anticipou-se à revelação que Nossa Senhora fez na medalha milagrosa em 1830, “concebida sem pecado”, à proclamação de Pio IX em 1854, e á própria confirmação de Lurdes em 1858: “eu sou a Imaculada Conceição”.

Santa Beatriz viveu as “escaramuças” entre franciscanos imaculistas e os dominicanos contra-imaculistas e não teve dificuldade de se situar ao lado dos que acreditavam no privilégio da Imaculada Conceição e se consagrar a Ela. Foi uma surpresa para muitos descobrirem no Congresso que a Ordem da Imaculada Conceição tem vocações jovens e 3000 Irmãs a viver em 155 Mosteiros dispersos pelos quatro continentes: Europa, América Latina, África e Ásia.

O Congresso teve um grande alcance histórico por ajudar a dar corpo, alma e espírito a esta mulher forte, Beatriz, tirando-a de algumas brumas da história em que tem estado encerrada com teria estado naquele cofre em que a rainha tinha planeado que morresse para se aliviar dos seus ciúmes doentios. Mulher situada na história, afirmativa e santa: uma inovadora pela Ordem que quis fundar e pela sua presença hoje nessa Ordem da Imaculada Conceição que deu à Igreja mulheres místicas de primeiro plano, e em que não faltam hoje jovens Irmãs da sua têmpera.

Fátima, 16 de Outubro de 2011

Aires Gameiro



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