Jornal de Opinião

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03/06/11

No silêncio comigo próprio

Ao Compasso do Tempo, 03 Junho 2011



Nunca há ausências de ruído. O silêncio é povoado pela interrogação que nos esculpem e pelos sonhos que nos constituem.

Não me refugio no mosteiro… O que devia ter sido feito, pensado e concluído, já foi. Mas arrasto comigo perguntas, bem pesadas.
Ei-las, sem desrespeitar o pudor e a neutralidade de um retiro:

1º Como vão ser a liberdade e a flexibilidade do vencedor(es) de 5 de Junho na redacção de um programa, qual teste de exame, cujas perguntas já foram construídas e às quais se fizeram promessas de submissão? Um jogador a meio campo ou na linha da frente tem decisão própria para desenhar uma arrancada, nunca prevista pelo treinador?
Nada poderá ser posto em causa? É-me interdito pensar, como vai acontecendo por aí?
Vamos assistir ao espectáculo de uma democracia “emudecida”?

2º Vamos colaborar com o não cooperável? Se já está tudo planeado…!

3º Valerá a pena dedicar este sábado – 4 de Junho de 2011 – à reflexão sobre a tragédia do desemprego? (do qual não ouvi remédios nem promessas nem esperanças nos últimos dias!) Aumente-se a produtividade, ampliem-se as exportações, etc, etc, etc… Como vou concentrar-me sobre o mais importante, se estou proibido hoje de fazer publicidade ao milagre?
Nem de perto nem de longe avistei um aceno de bom porto. Arrisco-me a prosseguir a odisseia do naúfrago!

4º O meu voto amanhã que fome vai matar? Que opressão, afastar? Que tecto vai oferecer? Que segurança será possível para sarar a violência dos assaltos, os gangs, a corrupção de luvas brancas, dos que aparecem sempre à volta, na hora própria, de quem vai surgir todos os dias, em qualquer telejornal?

5º Mas a desgraça à minha volta foi provocada por “questões fracturantes”, pela ausência do voto “católico”, onde marcam passo os mesmos que sempre tiveram crises de enjoo diante de um conceito e de um programa de justiça social?
Espero não adormecer na meditação em seu dia oficial…


MDN – Capelania Mor, 03 de Junho de 2011


Januário Torgal Mendes Ferreira
Bispo das Forças Armadas e de Segurança


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