Ao Compasso do Tempo - Crónica de 13 de maio de 2011
As posições científicas, e a sua oposição no campo socioeconómico, manifestamo-nos leituras tão opostas! Se sobe o iva… deve descer, segundo outros. Se diminui a taxa única… sobem os impostos…
E convenhamos que, para uma percentagem altíssima da população, noções destas são linguagens incompreensíveis!
Não deveria haver um “explicador encartado” que desdobrasse pareceres, clarificasse conceitos e tornasse límpido o que chega, carregado de impurezas? Parece-me, com base na avaliação de muitas pessoas, por aqui ou por ali. Que não se reencontrem os descobridores de um Portugal a rejuvenescer, é um aspecto. Mas, mesmo sendo parentes de uma igual verdade, a transmissão desta sai coxa e distante. E os ouvintes entram em tédio. E começou, desde há muito, a faltar-lhes a fé…
Não se fiam. Pior. Desconfiam. Exijam a quem gosta de falar em público e ao público, perícia, arte de comunicação, saber partido aos pedaços. As pessoas acham que há tramóias… Que nem tudo é dito. Que há truques… O mais perigoso não é a divida. São as pessoas… em dívida com a verdade! Serão suposições injustas.
Mas ainda há uns longos dias para se demonstrar outra segurança e responder a dúvidas…
E no tocante a despesas na Campanha Eleitoral? Como é possível que se gaste (e desgaste…) o dinheiro de um povo, quando este deixou de o ter? Não se pode viver acima das nossas possibilidades, dizem-nos.
Mas poder-se-á aceitar as possibilidades económicas de partidos, que orquestram uma campanha com o fito de convencer a não gastar, a não gastar mal, a gastar com tino e equilíbrio?
Para onde foi o dinheiro? As incoerências conduzem ao desastre. Não é com jogos menos claros que se pode construir um jogo de verdade.
Limpar o lixo, é missão salvífica. Mas, por estes dias, leio, surpreso: “Mulheres de limpeza arrumaram as vassouras por falta de pagamento”.
E, por fim, um outro sublinhado de movimentos de massa, a surgirem: “Precisamos de uma revolução ética. Em vez de colocar o dinheiro acima dos seres humanos, devíamos voltar a colocá-lo ao nosso serviço”.
Relembro a morte de Fr. José Augusto Mourão, sacerdote dominicano, cultor exímio da linguagem quer por imensas análises criticas quer pela produção de poemas únicos, na originalidade da palavra.
A matéria desaparece. Mas as “Minhas Palavras não passarão”. Philiphe Sollers, longe e próximo do Cristianismo, “sentiu”, o Jesus Cristo, de Bento XVI, pela Força da Palavra. E da sua perenidade.
Foi este mundo cultural, com quem J. Augusto Mourão dialogou. Como tantos outros o fazem. A Igreja tem que lembrá-los no decurso da sua existência terrena. Não os deixar partir sem lhes dizer: “Obrigado, Irmão”.
Capelania-Mor, MDN, 13 de Maio de 2011
D. Januário Torgal Mendes Ferreira
Bispo Forças Forças Armadas e Forças de Segurança
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