Jornal de Opinião

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27/06/11

Compasso do Tempo de 24 de Junho de 2011

1. Em Novembro de 1967, em Moçambique, um bispo português, ainda vivo, evoca os ditames da Paz, em período da maior delicadeza para o país, nestes termos:
“Caríssimos Oficiais, ouvi e dizei aos Vossos soldados:
- sede construtores e promotores de valores humanos
- sede, não apenas um serviço militar, mas sobretudo um serviço social em ordem ao bem comum
- sede amigos de Deus, que ama todos os Homens (…)
Digo-vos estas palavras porque sei que as atendeis e que as tendes pensado nos vossos corações e nos vossos gabinetes de trabalho” (D. Manuel Vieira Pinto, “Homilia na Missa pelos mortos da Guerra, em 2-11-67”, in Homilias – Proclamação do Movimento Paz e Caridade, Porto, Livraria Figueirinhas, s. data, ps. 16-17)

2. Volvidos anos, destacava-se como mediador das conversações de Paz de Moçambique independente, o Professor Andrea Riccardi (professor de História Contemporânea na Universidade de Roma III e um dos fundadores da comunidade de Santo Egídio), o qual, na fidelidade ao pensamento do Papa João XXIII: “A Igreja apresenta-se tal qual é e tal qual quer ser. Igreja de todos e, em particular, dos pobres”, escreveu mais tarde:
“[…] se todos podem fazer a guerra, todos podem fazer a paz […]. A cultura da paz está em profunda continuidade com a cultura de solidariedade (…) A força é a da aproximação humana, a capacidade de dar confiança, de mostrar que não há outro interesse senão a paz nos conflitos em que o factor humano, a desconfiança, o ódio se conjugam em esquemas não tradicionais. No caso de Moçambique (…) um regime de partido único tornou-se um Estado democrático” (Cf. Communio, Lisboa, XVIII (2001/5), p. 452 e 458)

A história pode sempre ter outros rumos, mais inteligentes e limpos. Foi o caso.
Nota: Para não prolongar a homilia não citei algumas considerações de D. Manuel Vieira Pinto. Faço-o hoje, rezando pela sua vida, atingida por grave doença e trazendo-o à nossa memória, que sofre da estratégia de esquecer.
“Na promoção da paz social, as Forças Armadas devem:
• Estabelecer a ordem justa, onde esteja a desordem;
• Defender o direito violado, onde haja violação do direito;
• Realizar obras de paz em ordem ao bem comum.
Infelizmente surgem dentro das nossas fronteiras situações de desordem que exigem a instauração da ordem; mas que a Força Armada tenha sempre em conta a justiça e a dignidade dos homens, mesmo inimigos. Mais do que lutar contra os homens, as Forças do Exército em reunião com todas as forças responsáveis, querem lutar contra as condições que gerem homens e populações diminuídas, mergulhadas num subdesenvolvimento que alimenta o isolamento geográfico e humano, a desconfiança, a incapacidade para a convivência.

Muitas e urgentes são as obras de paz que importa realizar com inteligência e coragem nesta Província portuguesa de Moçambique, mormente nestes Distritos afectados pela guerra. Como diz Paulo VI na maravilhosa Encíclica Populorum Progressio:”

MDN – Capelania Mor, 24 de Junho de 2011
Januário Torgal Mendes Ferreira
Bispo das Forças Armadas e Forças de Segurança


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