Jornal de Opinião

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18/02/11

Ao Compasso do Tempo - Crónica de 18 de Fevereiro 2011

Que a opinião em geral se agite diante de factos hediondos, assumindo, até, o papel de juiz sem contemplações, não o estranho. Não se resiste com facilidade a embates emocionais, por muito esforço se faça a favor do bem pensar. Mas parece que só o insólito sensibiliza e dá nas vistas. Morre-se todos os dias. Mas só chama a atenção o desaparecimento de alguém, quando aspectos especiais a rodeiam.
Sem ironia diante do efeito dominó: basta uma senhora ter sido notícia por o corpo ter sido descoberto nove anos após o seu desenlace, para, num instante, serem conhecidos casos idênticos. Até as ditaduras têm um rosto meigo. Foi preciso que o Egipto levantasse a cabeça para, dum sopro, vários países árabes entrarem em processo de ebulição. O sofrimento, físico e moral, corre o risco de doer menos pela força da rotina…
Nesta ordem legislativa da banalidade não me admirei do silêncio diante da morte do Coronel Vítor Alves. Não me refiro a pessoas que, até nos sentimentos, se regulam por catalogações de há longos anos e onde a política deixou de ser racionalidade para ser só emoção da tribo. Aludo a quem, na comunicação em geral, se rendeu à ponderação de maneiras e à recusa de extremismos, que o caracterizaram. Tantos que não gostando de “Abril” se surpreenderam com o grupo dos nove, e, apesar do seu clima doente, até vieram a coincidir com “Novembro”.
Não tive o gosto de conhecer pessoalmente o Senhor Coronel Vítor Alves. Nunca nos cruzamos. Já estava na situação da reserva, quando por este meio iniciei os primeiros passos.
Nesta questão de sentimentos também vigoram a formalidade e o institucional. As pessoas “dão-se” (e parecem estimar-se) porque têm que “se dar”. Vivem enquanto desempenham um cargo. Transitados à “vala comum” dos mortais, em vez de rejuvenescerem, tornam-se desconhecidos ou negligenciados. A minha homenagem a tantos iguais entre nós.

Nota: Para o Cónego Pio Alves de Sousa as minhas congratulações de grande estima. O Porto também é uma bela diocese!

MDN – Capelania Mor – 18 de Fevereiro de 2011
Januário Torgal Mendes Ferreira
Bispo das Forças Armadas e de Segurança


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