Jornal de Opinião

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06/01/12

Compasso do tempo do dia 06 de Janeiro de 2011

Os “justos” são a porção viva e sã, mas escondida, da comunidade a que pertencem (…). O fundamento da esperança no futuro é o reconhecimento dos “justos” que nos rodeiam, seja qual for o meio em que vivem e o apoio que somos capazes de lhes dar na sua “luta” pela justiça. Talvez isso sirva de antídoto contra a desilusão que nos causam os poderosos das finanças, da política ou do espectáculo (José Mattoso, Uma ideia para Portugal, Público, 6 de Março de 2010, p.2).

Será com tráfico de influências, com sociedades secretas e suas “pontes” e interesses com outros campos e sectores, com taxas de 3 euros (felizmente já corrigidas) por uma questão telefónica colocada a um clínico e o consequente desrespeito jogado sobre uma classe (seja ela quem fosse), com deslocalizações, após protestos de fidelidade patriótica, etc., que vamos fortalecer mentalidades cultas e sãs em ordem à estruturação de uma nova ordem social?
A Sodoma e a Gomorra dos nossos dias serão salvos… se ao menos, se mantiver de pé quem nos habituou a nunca utilizar outras poses…
O actual bastonário dos médicos chega ao ponto de sublinhar que há maneiras ou decisões (a das tais taxas moderadoras de 3 euros) que ultrapassam “os limites da racionalidade”, no sentido de serem irracionais… Nem que seja uma só pessoa… Uma só pode impedir a destruição, um só é bastante para construir uma cidade outra, sem vilanias, sem opressões em matérias tão sensíveis com as da saúde, sem confusões nem apagadas tristezas.
“Para ser grande, sê inteiro: nada teu exagera ou exclui/ Sê todo em cada coisa. Põe quanto és/no mínimo que fazes/ Assim em cada lago a lua toda/brilha, porque alta vive” (Fernando Pessoa).
Morreu um desses “justos” em 18 de Dezembro de 2011. De nome Vaclav Havel, ex-presidente da República Checa. Não sei se não terá escrito o que se segue, a pensar em Portugal:
“Se não queremos ser controlados por forças anónimas, os princípios da liberdade, igualdade e solidariedade – os fundamentos da estabilidade e da prosperidade das democracias ocidentais – têm de começar a funcionar a nível global. (…) a política não é apenas uma tecnologia do poder (…) tem de ter uma dimensão moral (…). Assim, a união da Europa deveria constituir um exemplo para o resto do mundo sobre a melhor forma de enfrentar os vários perigos e horrores que nos cercam hoje” (Público, 15 de Novembro de 2004).
Como justificar a esperança, tão invocada em mensagens e votos nos inícios deste novo ano, se é difícil encontrar quem, diante de certas circunstâncias, se mantenha de pé?!

Nota: Relembro em comunhão o Padre David Vaz Monteiro, sacerdote da arquidiocese de Braga, falecido esta semana.
Foi capelão militar, tendo desempenhado as funções de chefia da assistência religiosa da Marinha.

MDN – Capelania Mor, 06 de Janeiro de 2012
Januário Torgal Mendes Ferreira
Bispo das Forças Armadas e Forças de Segurança

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