Jornal de Opinião

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26/10/11

No xadrez da Missão... Uma Rainha e um Bispo!

Em uníssono com toda a nossa igreja, vimos todos celebrando mais um outubro missionário.
E bem, porque o campo de missão que antigamente eram as Africas, agora também é a Europa, Portugal, Lisboa, Lamego, e cada uma das suas comunidades. O desinteresse pelos valores espirituais e o desleixo na procura da Fé e da Palavra de Deus são tão frequentes que uma grande parte da nossa gente já não sabe nada de Deus, nem dos caminhos que até Ele nos levam.


Daqui a pouco, se a situação não se inverter, as nossas terras serão as terras da missão, e terá que vir da África e das Américas alguém que venha evangelizar-nos a nós.

Nesta circunstância, aproveito para trazer à colação a preocupação de uma nossa rainha e a colaboração pronta e generosa de um dos nossos bispos.

Em 17 de Junho de 1778, através da Secretaria dos Negócios do Ultramar, sedeada no Palácio de Nossa Senhora da Ajuda, em Lisboa, a rainha D. Maria I – a ”piedosa” (agora preferem chamá-la “a louca”…), preocupada com a situação da causa missionária nas nossas “Conquistas do Ultramar”, e mais concretamente na nossa “Província de Angola”, onde, segundo as “Relações” enviadas a seu pedido pelos bispos aí residentes, “a administração dos Sacramentos, o Culto Divino, a Pregação do Evangelho, e todos os mais actos de Religião se acha(v)am quazi sem exercício e pouco menos que abandonados”, dirigiu uma carta aflitiva a todos os bispos do Reino, pedindo-lhes socorro para aquele “infeliz rebanho que Nosso Senhor Jesus Cristo remiu com o Seu Precioso Sangue e que, por falta de Pastores, morria à míngua”, e que exortassem os seus diocesanos a oferecer-se para servirem “nessa glorioza e santa impreza”.
O Bispo de Lamego, D. Manuel de Vasconcelos Pereira de Melo não se descuidou na resposta. Dez dias depois, exaltando essa exemplar preocupação da Rainha, dirigiu uma “Carta Circular” aos sacerdotes do bispado, nos seguintes termos: “ao vermos a dilatada seara do Senhor destituída de operários precizos para plantar, para edificar, e para arrancar e destruir, exhortamos a cada hum dos nossos Veneráveis Irmãos Sacerdotes que se achar animado do Espírito Apostólico, que preferindo a Glória do Deus Eterno na salvação das Almas do Próximo, às comodidades e descanso doméstico, e querendo dar o seu nome dentro em quinze dias depois da notícia desta Carta Circular, no-lo faça saber para assim o fazermos prezente à rainha Nossa Senhora, afim de se darem as providências precizas para o transporte e subsistência dos mesmos; e aos que não se acharem com o mesmo espírito, mandamos que, elevando frequentemente o seu coração ao grande Pai das Misericórdias, lhe roguem que mande operários dignos e que fação frutificar e renascer aquela seara quazi extinta.”(Livro de Pastorais e Capítulos de Visitações de Taboaço, 1776-1799)

Como fazem falta, hoje, reis assim!
O xadrez da igreja e do país estaria talvez bem melhor!

Resende, 18.10.11
J. Correia Duarte

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