Jornal de Opinião

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04/07/11

Um Bispo ... e uma crise!

Neste ambiente de crise económica e financeira em que o país foi caindo aos poucos, com repetidas falências de empresas, dolorosos despedimentos dos trabalhadores e incomportáveis endividamentos do Estado e das famílias, foi crescendo e aumentando sempre mais a pobreza e a miséria de muitos dos nossos concidadãos.

Nesta situação, tem a Igreja marcado uma nobre e simpática posição, ajudando como pode, a nível nacional e local, todos os que lhe vão batendo à porta. Basta trazermos à colação os apelos repetidos do episcopado, a atuação atenta da Caritas, a ação benemérita das Misericórdias, as intervenções constantes das Conferências de S. Vicente de Paulo e a presença próxima e solidária dos Grupo e dos Centros Paroquiais.

Esta não é a primeira vez. Como é costume dizer-se, a História repete-se.
É de todos conhecido e sabido que, antes desta grave crise, outra crise existiu, de âmbito internacional: uma crise tão grande que ficou assinalada na História Universal; tão difícil que envolveu miséria e fome em inúmeras famílias; tão marcante que teve direito a nome próprio - a “Grande Depressão”.
Foi nos anos trinta do passado século. O desemprego flagelou inúmeros trabalhadores do mundo, e a pobreza e a miséria desgraçaram um incontável número de famílias.

Tal como agora, também a Igreja correu então a ajudar.
Em 2 de Outubro de 1931, preocupadíssimo com a situação de pobreza que então flagelava a sociedade, o papa Pio XI escreveu uma aflitiva “Carta Apostólica”, pedindo a todos os que tivessem bens, a caridade de acudirem e ajudarem os mais pobres.
Na sequência desse apelo, o então Bispo Coadjutor de Lamego, D. Agostinho de Jesus e Sousa, no primeiro dia de Novembro do mesmo ano, enviou através dos párocos um apelo à solidariedade dos pastores e dos fiéis, a concretizar em todas as paróquias com ações e atitudes capazes de minimizar as carências dos mais pobres.
Cito: Às misérias habituais de todos os tempos, veio juntar-se nos últimos tempos e em toda a parte o flagelo do desemprego de um avultado número de pessoas que do seu trabalho honesto auferiam antes da actual crise económica o suficiente para se sustentarem a si e às suas famílias….Magoa-nos muito a fome, a nudez, e toda a falta do indispensável em tantos lares, onde ainda há pouco, mercê do produto do trabalho, havia um relativo bem-estar. (Boletim da Diocese, Ano XIV, nºs 10, 11 e 12)
Logo depois, aconselhava D. Agostinho os mais abastados da diocese a partilhar os seus bens com os seus vizinhos pobres, os que tinham dinheiro de sobra a emprestá-lo a quem o não tinha, a juros baixos, os que possuíam dinheiros parados nos bancos ou em casa a investirem e a criarem emprego e trabalho para os trabalhadores desempregados, os consumidores a preferirem os produtos nacionais para ajudarem a crescer a economia do país, os párocos a criarem nas suas freguesias grupos ou associações responsáveis pelo desenvolvimento de ações de solidariedade e a promoverem peditórios nas igrejas ou de porta em porta para acudir aos mais pobres.
As palavras do senhor bispo de então são as mesmas que hoje precisamos de ouvir e as atitudes que ele recomenda são as mesmas que agora devemos assumir e observar.
Parece que foram escritas há dias.
Parece que foram ditas agora.

Resende, 30.06.11
J. Correia Duarte

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