Jornal de Opinião

São muitos os textos enviados para a Agência Ecclesia com pedido de publicação. De diferentes personalidades e contextos sociais e eclesiais, o seu conteúdo é exclusivamente da responsabilidade dos seus autores. São esses textos que aqui se publicam, sem que afectem critérios editoriais da Agência Ecclesia. Trata-se de um espaço de divulgação da opinião assinada e assumida, contribuindo para o debate de ideias, que a internet possibilita.

06/08/09

Viver na ignorância ou saber aprender... humildemente?

Era grande a multidão, na expectativa de ver os andores – feéricos, deslumbrantes e belamente enfeitados – quando escutei – o que é muito mais do que ouvir! – a seguinte observação de alguém num quase desabafo:
- Quem pensa que sabe tudo é o pior ignorante!
Ao que o interlocutor respondeu:
- Temos sempre qualquer coisa a aprender... uns com os outros!...
Partindo deste breve e incisivo diálogo poderemos (como que) tentar desmontar muitas ‘sabedorias’, que não passam de disfarces de ignorância mal encoberta, tanto pela inépcia dos argumentos, quanto pela arrogância dos condimentos. Com efeito, todos permanentemente somos confrontados com pessoas que sabem muito dentro da sua especialidade e para tal campo conduzem a conversar por forma a poderem brilhar...à custa da ignorância alheia. Mesmo que de forma enviesada tentamos – e, por vezes, conseguimos durante bastante tempo – enganar quem nos pode conhecer melhor:
* Veja-se certas discussões sobre o futebol – com as arreigadas visões clubísticas a fazerem estrago até na amizade e no convívio – onde cada qual (se) defende atacando os adversários... conjugando uma das tácticas mais básicas do futebolês: a melhor defesa é o ataque!
* Certamente temos convivido com pessoas a quem ainda não dissemos metade da palavra ou da frase e já nos tentam calar com a expressão: ‘eu sei’, deixando logo sem motivação para continuar a conversa, pois quem tudo sabe pouco terá a aprender. Só que esta mesma atitude temo-la também nós para com os outros e, assim, podemos fazer de tantos momentos de partilha uma espécie de batalha monocórdica e sem aprendizagem mútua.
* Também é-nos muito útil reflectir sobre a capacidade de saber corrigir (activamente) sem ofender, pois, se desejamos que tenham essa atitude para connosco, deveremos exercer idêntica posição para com os outros. De facto, a correcção – mútua, fraterna e construtiva – nunca poderá amesquinhar os outros. Na medida em que nos ajudamos a crescer na maturidade, melhor saberemos ajudar-nos a olhar o positivo uns dos outros. Quantas vezes os defeitos que apontamos tão acintosamente aos outros são o reflexo dos nossos próprios defeitos! Quantas vezes acusámos antes que nos acusem! Quantas vezes nos disfarçámos de juízes alheios quando não passamos de réus não assumidos!
Considerando que temos sempre muito a aprender, ousamos propor:
- Cada manhã vá ao espelho e veja-se como é e não como gostaria de ser;
- Em cada pessoa que encontrar tente ver o positivo e não segundo preconceitos;
- Naqueles/as que acha (já) conhecer realce as qualidades e não empole os (possíveis ou reais) defeitos;
- Tente aprender um pouco cada dia sem tentar ensinar nada por imposição;
- Ajude a melhorar este mundo em vez de dizer (preferencialmente) mal de tudo e de todos;
- Mesmo nas horas de maior agrura veja algo de benéfico naquilo que lhe acontece;
- Se for preciso mude de lentes dos óculos... para ver a presença de Deus à sua volta.
Se for o caso, aproveite as férias para acrescentar esta lista de aprendizagens... com a sua experiência humilde e verdadeira.

A. Sílvio Couto

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