Jornal de Opinião

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01/06/12

Envelhecimento ativo para adoecer menos

Estamos no Ano Europeu do envelhecimento ativo. Há encontros e congressos. O XI Congressos de Psiquiatria S. João de Deus desde que se promoveu o primeiro em 1979 com 550 participantes, teve em Fevereiro cerca 400. Multiplicam-se outros sobre idosos. Desengane-se o leitor se vai para um congresso destes para aprender a adoecer menos. Nos seus temas há uma concentração saturante de doenças e perturbações, e sobre os que os assistem e tratam. São feitos para isso. As excepções são raras. E os prelectores estão lá para vender o produto e os produtos da sua arte: ajudar, não para ensinar a dispensar a ajuda. São profissionais ativos. Os cidadãos contem com eles para ficarem mais passivos. Nem têm que ter muita voz e iniciativa. Há dias num único jornal davam-se títulos de várias doenças a centenas de milhar de doentes em Portugal; e daí a dias outro titulara mais doenças e doentes… Um milhão? Dois milhõe de doentes e muito mais em Portugal? A brincar pergunto aos meus amigos se há alguém com saúde em Portugal? Nestes congressos nunca se diz quem não é doente e pouco se diz como não se tornar tão doente nem em que idade começar esse como. Estes e muitos encontros reduzem ou aumentam os estigmas? A questão de Pio Abreu é muito actual “como tornar-se doente mental”; e podíamos dizer: como tornar-se idosos inválidos; como continuar doente e como depender passivamente e ser manipulado por médicos, psicólogos, enfermeiros…? Então, não se fala de ser idoso ativo, da reabilitação psicossocial para a autonomia e para ser menos doente? Nem por isso. Parece que a mensagem é: mais medicamentos, mais cuidados por outros; e, caso “estragou” a saúde com o fumo, as drogas, o álcool, o excesso e qualidade do que come e de tanta coisa, os profissionais aí estão para o tratar… e ainda bem. Mas…E para evitar que adoeçam? Nem por isso. Para evitar não adoecer tanto, tinha que se começar aos dois, três anos de idade e continuar aos 20, 30, 40 anos… Tinham que se ouvir palestras de pessoas que sempre mantiveram comportamentos e consumos saudáveis, e idosos ativos e de saúde. Pelo menos um deles por cada profissional teria voz nos encontros. Mas não se lhes dá voz. Ativos em quê? Não apenas a fazer bugigangas mais ou menos inúteis e sentados horas seguidas. Idosos ativos tirados das suas atividades e do seu emprego antes do tempo? E a engonhar nalgum lar ou centro dia? Ativo com pensionistas e reformados proibidos de se ocuparem nalgum trabalho sob pena de perderem a pensão? Os cidadãos poderiam evitar 30% das doenças que os afectam por sua conta e risco se fossem alertados, treinados e quisessem. Alguns treinam-se mais a falar das suas mazelas e achaques a toda a gente, e a aplicar a si mesmo com brio o rótulo ouvido ao médico. São os maiores. No dizer de Pio Abreu, as pessoas teriam nascido para ser manipuladas. Não anda longe da realidade. E outras nasceram para manipular. Nos tempos de crise, menos. Há mais resistência à manipulação e os manipuladores têm menos meios. Mudar os rótulos de doentes e de cuidadores que induzem estigma, rotina e dependência, podem estimular mais atividade nos “doentes”. O uso de alguns termos pode aumentar os problemas se não capacitam os cidadãos e se não os desrobotorizam dos mestres da manipulação. Interesses disfarçados não faltam para os manterem robots submissos ao consumo inútil e danoso. As dimensões da pessoa são imensas e a espiritualidade questiona as mais esquecidas pelas especialidades redutoras do todo da pessoa. Precisam-se especialistas do todo da pessoa que não neguem as dimensões invisíveis, transcendentais, sinalizadas no primeiro mandamento do decálogo. Convidem o Principezinho a falar delas aos especialistas. Fevereiro de 2012 Aires Gameiro

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