Jornal de Opinião

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01/06/12

A crise... Os pobres e os ricos!

Como todos sabem e sentem, na sequência de anos e anos de desgoverno por parte de quem nos dirigia, gastando o que se tinha e o que se não tinha para dar nas vistas do mundo e ganhar votos autárquicos e nacionais, e também de vaidades insensatas de muitos portugueses que se julgavam ricos com o dinheiro que os bancos emprestavam e até ofereciam, atulhamo-nos em dívidas tão grandes que nem os juros dessas dívidas conseguimos pagar agora. O que vai ser de nós!? Como é que isto foi possível, e ninguém segurou isto enquanto se estava a tempo? É que está tudo desfalcado: o Estado e as Autarquias devem aos fornecedores e aos credores; os Bancos não têm dinheiro para emprestar às Empresas; as Empresas despedem os trabalhadores e fecham portas; os particulares, desempregados e desorientados, não conseguem pagar as dívidas aos Bancos e os impostos ao Estado, e eles tiram-lhes a casa, o carro, a caravana e o barco de recreio… Como nós estamos! Mas o pior é que, neste estado de pobreza nacional, grande parte das pessoas continuam a não ter juízo: os nossos políticos (embora um bocadinho melhor do que os da Grécia), em vez de se unirem todos para salvar o país, continuam a guerrear-se para ver se ganham alguns votos, se crescem mais um pouco nas sondagens, ou se chegam mais depressa ao poder; os trabalhadores das empresas públicas mal geridas (CP, METRO, TAP, ESTRADAS, R. T. P., REFER…) - as grandes causadoras da dívida do país - fazem greves e manifestações seguidas, tentando desesperadamente salvaguardar os seus lautos e injustos privilégios; a nossa selecção de futebol vai gastar 33 mil euros diários no Euro /2012, enquanto a de Espanha se ficará por uns 4 mil e setecentos; e muitos cidadãos, não querendo mudar de vida fácil nem perder hábitos de consumismo gostoso, continuam a fazer vida de “bons vivants”, enquanto lhes restam ainda alguns cêntimos na algibeira. Enquanto isto, sem dinheiro para acudir às necessidades do país e sujeito a uma TROIKA que impõe regras apertadas para nos emprestar o dinheiro de que precisamos e sem o qual não conseguimos sobreviver (e está no seu direito…), e empenhado em diminuir as nossas dívidas o mais depressa possível, o Governo, como abutre esfomeado, cai em cima dos cidadãos que vivem do seu trabalho retirando-lhes os subsídios de férias e do natal e aumentando-lhes os impostos, e em cima dos mais frágeis da sociedade sobrecarregando-os com taxas moderadoras na saúde e com a subida do IVA no gás, na água, na electricidade e na restauração. O que vai ser de quem não tem rendimentos suficientes? O que vai ser dos que vivem apenas com uma pensão social de miséria? É que, quem sofre a crise e a sua austeridade são precisamente aqueles que nada fizeram para lhe dar origem: gente que sempre trabalhou honestamente, para orientar a casa e dar mantença à família. Em minha opinião, outros deviam ser chamados a saldar as dívidas e a pagar os juros: em primeiro lugar, todos os culpados. De modo geral, e sem nomear ninguém, os que governaram mal e levaram o país à bancarrota; os administradores das Empresas Públicas, em grande parte responsáveis por este enorme buraco nacional; os instituidores e os gestores das empresas publico-privadas, outro cancro nacional; os presidentes do Banco de Portugal e do Tribunal de Contas que não preveniram a situação como era seu dever; os corruptos que se governaram à custa dos dinheiros públicos; os que levaram bancos à falência sem se saber para onde foi o dinheiro…. Em vez de serem chamados à responsabilidade, de responderem nos tribunais e de serem obrigados a repor o que habilmente extorquiram em seu proveito, caso o tenham feito, passeiam-se por Lisboa, Paris e Londres… à espera que o tempo passe, as pessoas se esqueçam e os processos prescrevam, vivem lautamente em seus palácios, ou até administram empresas públicas com ordenados chorudos. Isto, se assim continuar, pode acabar muito mal. Este é o caminho que põe termo às democracias e abre a porta às ditaduras. Já foi assim da outra vez. Se me ouvissem, eu pedia ao governo que tirasse o dinheiro a quem o tem, e a quem, por ter muito, nenhuma falta lhe faz: logo à cabeça, os antigos Presidentes da República e da Assembleia de Deputados cujas mordomias contribuem grandemente para o enorme deficit nas contas nacionais; a seguir, as pensões antecipadas e vitalícias dos militares de Abril e dos políticos locais e nacionais que tiveram o “direito” de as receber quando ainda eram umas “crianças”, enquanto os demais cidadãos, para receberem pensões de miséria, têm de trabalhar uma vida inteira; a seguir, e sem deixar para trás os “homens e os meninos da bola”, todos aqueles que neste país auferem todos os meses ordenados e pensões exorbitantes de muitos e muitos milhares de euros, tantos que a gente nem sabe como é que eles conseguem digeri-los; depois, e finalmente, aqueles que têm manifestações de grande luxo, em moradias e palácios, em ouro e pedrarias, em automóveis de alta gama, em barcos de recreio, e em contas astronómicas nos bancos nacionais ou estrangeiros. Esses sim, é que podiam e deviam pagar a crise, porque até o faziam sem saberem o que é a austeridade e a pobreza, e como ela magoa e dói aos seus pobres semelhantes. Porque tiram as casas a quem está desempregado e não tem com que pagar os compromissos mensais que assumiu com o empréstimo? Isso, não há direito! Bancos e Finanças, que prolonguem o tempo determinado para eles saldarem as dívidas, que lhes troquem as boas casas que adquiriram sem poderem, por outras à medida das suas capacidades. Tirar-lhes a casa e pô-los na rua, é que não! Concluindo, acho que o Governo devia fazer o papel do conhecido “Robin Hood” nos bosques de Sheerwod, não falando já do “Zé da Silva” de Telhado, de Penafiel: tirar aos mais ricos para poder ajudar os mais pobres. Nas actuais circunstâncias, isso é que seria governar bem! Se sou exagerado ou injusto, que Deus me perdoe! RESENDE, 21/05/12 J. CORREIA DUARTE

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