Jornal de Opinião

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31/10/11

Ao Compasso do Tempo - Crónica de 28 de Outubro de 2011

Os argumentos do anti-fascismo, por muitas desventuras cometidas em certo período histórico, tiveram a sua razão de ser (reparo aos que “vestiram” a pele de oposicionistas… para, oportunisticamente, “surfarem” a onda…). Mas, no imediato, todos se deram conta da exorbitância: tantos cidadãos que resistiram, sem terem obtido a oportunidade de, historicamente, serem conhecidos! E, só porque não alcançaram notoriedade, foram atirados para o “limbo” dos traidores.

Agora, volta-se ao mesmo… Do ponto de vista ético, começou por aconselhar-se a não falar mais do passado recente… O passado foi julgado, sem equívocos, nas eleições últimas. Porquê voltar sempre ao mesmo, referenciando a “tanga” em que fomos deixados (e os anteriores dois primeiros ministros não resistiram a esta argumentação)?
Destaco este dado factual pela simples razão de, nos últimos dias, ter lido artigos e emails, onde a tónica é esta: mas este ou aquele não criticou o último governo (li um dos últimos números do “Jornal do Fundão” onde Baptista Bastos critica um deputado europeu, que acusava um bispo por esse delito… E, afinal de contas, é um não crente que declara a esse parlamentar a sua não razão…).

Por isso é importante, não por uma questão de polémica ou de orgulho pessoal, conservar a documentação necessária para demonstrar a verdade… e a mentira, de quem nega dados factuais. A história constrói-se com documentos e seu arquivo. E há elementos documentais que “arrasam” a mais suave invectiva. Dou um exemplo: há dias o Senhor José Bonifácio (o nome é verdadeiro; o sobrenome, fictício) tornava público o delito de alguém, com responsabilidade na Igreja Católica, por não ter apontado os dislates éticos do Governo anterior, em contraste com os últimos reparos ao “desvio colossal”.

Pois bem. A pessoa em questão, com o à vontade de quem respira coerência, limitou-se a responder ao libelo, com a seguinte objectividade: “tenha a bondade de compaginar a nota de culpa de V.ª Excia com as declarações do visado, in Notícias de Beja, com data de 4 de Março de 2010, sob o título Portugal está a bater no fundo”
E “esta”?

Cito a seguinte saborosa passagem de sabedoria de um perseguido e vencedor (pela humildade da verdade), passagem esta tão oportuna para este momento da história de Portugal:
“Por isso a ideia da justiça está nas origens de todas as revoltas: - não há direito – e leva por diante todas as revoluções, mesmo nos seus movimentos mais injustos” (D. António Ferreira Gomes, Igreja na vida pública – Catolicismo português e historicidade, Porto, Fundação Spes, 2003, p. 39)

Realmente “não há direito”…

Lisboa, 28 de Outubro de 2011

D. Januário Torgal Mendes Ferreira
Bispo das Forças Armadas e Forças de Segurança

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