Jornal de Opinião

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24/05/10

Fátima, o Papa e as Comunidades Portuguesas

Este mês de maio foi deveras especial para Portugal inteiro – residentes e emigrantes - pela visita amiga e peregrinação orante do Santo Padre, Papa Bento XVI, a três dioceses portuguesas – com grandes diásporas! - e, nelas, a toda a Igreja e Nação. Também os emigrantes, apesar de pouco citados nos discursos e mass media, foram visitados e abençoados pelo Santo Padre, pastor universal!

Maio é um mês sem igual! Sempre o foi entre os portugueses! É o mês típicamente intenso das manifestações religiosas marianas das Comunidades Portuguesas dispersas pelo mundo.
Neste mês florido em que as Comunidades, desde as mais integradas, bem acompanhadas e numerosas, àquelas mais esquecidas, sem padre e minoritárias se organizam - quase de forma espontânea e, na sua maioria sob a iniciativa principal de leigos e leigas - em mordomias nortenhas, irmandades ao estilo lusitano, associações e grupos devotos mais informais é, precisamente nesta altura que ganham visibilidade pública. É neste período que vivem um dos mais fortes momentos de comunhão, religiosidade, voluntariado e solidariedade do ano. Assim, maio será sempre o mês de Maria, da Paz, do Rosário e da Mensagem de Fátima!
Assiste-se a grupos comprometidos com o Rosário em família, em capelas de bairro ou catedrais, a Missas solenes seguidas de procissões de rua em paróquias de acolhimento, a andores engalanados de invulgar beleza guardados por homens de opa e com força de braços, a cortejos de crianças vestidas de branco e outras a imitar os três pastorinhos, a peregrinações regionais e nacionais aos santuários marianos locais (Lourdes, Banneaux, Tornquist, Einsendeln, Aparecida, Wiltz, Benoni, Lyon, só para citar alguns....) bem preparadas e animadas espiritualmente pelos missionários e missionárias que servem as comunidades católicas portuguesas e lusófonas. Muitas destas Peregrinações dos Portugueses, graças á fidelidade dos emigrantes cristãos chegam a ser a maior manifestação anual de cristãos presentes em tais dioceses pela quantidade de gente, pela simbologia cultural partilhada e beleza da religiosidade popular! A presença do sacerdote ou bispo é tão desejada que se convida, onde não há, ou então para solenizar ainda mais a festa à Virgem de Fátima sacerdotes e bispos de Portugal ou outros misionários portugueses a trabalhar pelo mundo fora. Em geral, a liturgia vai-se já adaptando à sensibilidade cultural e linguística local, sendo já muitas destas festas celebradas em várias línguas, não só a portuguesa. É Fátima a tornar-se património da igreja universal graças à fidelidade dos emigrantes em mobilidade pela Europa , pela Comunidade lusofóna e pelo Mundo. È Fátima a evangelizar com a afectividade, a festa, os sentimentos humanos, a fraternidade que brota das migrações e encontro de povos, muitas famílias e comunidades que, desiludidas com o secularismo e relativismo, hoje procuram um sentido novo para a vida, para o futuro e acusam sede de uma transcendência que liberte a alma e lhe recorde a beleza da vida como dom! A visita de mais um Papa a Fátima, o terceiro, vem dar credibilidade à mensagem de Fátima, aos símbolos culturais e à religiosidade popular de que os emigrantes portugueses têm sido arautos e testemunhas há quase um século pelo mundo.
Os emigrantes portugueses – trabalhadores, estudantes e missionários – acompanharam a Visita Apostólica de Bento XVI, como se tivessem estado presentes na calorosa missa dos Aliados no Porto, na comovente procissão do Adeus em Fátima, à beira do azul Tejo em Lisboa e no “bem-vindo” das crianças no Cristo-Rei de Almada. E, de facto, estiveram intensamente presentes e em profunda comunhão, não apenas através das novas tecnologias (TV, Rádio, Imprensa e Internet), mas, sobretudo, pela oração familiar e em comunidade. Nessa semana da visita papal e fim-de-semana que se seguiu aos dias 12 e 13 maio, multiplicaram-se as novenas, tríduos, missas, procissões, promessas e festas populares em honra de N. Sra. do Rosário de Fátima. Como também não podia deixar de ser, em palavras e gestos, unidos a toda a igreja, manifestaram a solidariedade dos emigrantes portugueses para com o Sucessor de Pedro, neste particular momento de sofrimento e perseguição mediática e ideológica para com a Igreja.
Rui Pedro


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